Opinião

Política. Contra o medo de decidir

Política. Contra o medo de decidir

Entramos na semana de regresso às aulas, a atividade parlamentar recupera ritmo, caminha-se progressivamente para uma expectativa de normalização de um país há demasiado tempo suspenso e focado na pandemia.

Aguarda-se uma nova fase de alívio de restrições, mas o Governo remeteu as próximas mudanças para a avaliação a fazer com o suporte técnico dos especialistas do Infarmed, mostrando medo de arriscar na tomada de decisões.

Os números com que continuamos a ser bombardeados diariamente mostram a estabilização dos novos contágios e, sobretudo, uma progressiva redução dos efeitos graves da covid. Dificilmente se pode esperar a ambicionada imunidade de grupo, mas a vacinação revela eficácia na proteção contra formas graves de doença. É tempo de virarmos a página e de aprendermos a conviver com o vírus.

Para lá do ruído das autárquicas e da negociação de mais um Orçamento do Estado, entramos num período decisivo para o país. Não apenas por estarmos obrigados a executar com eficiência o Plano de Recuperação e Resiliência, mas porque a pandemia veio expor tantas fragilidades do nosso modelo de crescimento, fortemente dependente do turismo, bem como as assimetrias territoriais e desigualdades sociais. A tão falada reconstrução social e económica deveria assentar na capacidade de corrigirmos e alterarmos aquilo em que temos estado a falhar.

O legado de apego à cidadania e à solidariedade deixado por Jorge Sampaio não pode ser palavra de circunstância, em momento de evocação emotiva. Os valores democráticos e humanistas que guiaram o ex-presidente em cada etapa da sua vida foram transformadores por terem sempre em perspetiva o bem comum. Num tempo em que a política é tão criticada e reduzida às suas erradas interpretações, Sampaio recorda-nos a sua essência e dimensão coletiva. Razão para reafirmar, já depois de ter deixado o mais alto cargo da nação, o quanto "a política é essencial".

A política é construtora de horizontes. Contra o medo de decidir.

Inês Cardoso

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