Opinião

Se possível, sem alarmismo

Se possível, sem alarmismo

A preparação do próximo ano letivo suscita natural preocupação, mas é pena que se esteja a fazer um caso à volta de duas palavras, sobrepondo-se o ruído à discussão séria sobre as exigências para o regresso dos alunos à escola.

"Se possível", deve ser assegurado o distanciamento de um metro entre alunos. Uma flexibilização que tem sido arma de arremesso contra a Direção-Geral da Saúde.

A flexibilização das normas não é inédita e será uma inevitabilidade à medida que a pandemia vai evoluindo e nos apercebemos da impossibilidade de viver em permanente estado de exceção. O distanciamento, o uso de máscara e tantas outras medidas preventivas, desde circuitos de entrada e saída ao arejamento dos espaços, têm de ser olhados de forma conjunta e aplicados, escola a escola, ajustando a intervenção às características e contextos em que cada uma trabalha.

Com isto pretende-se isentar o Ministério da Educação de responsabilidades na criação de condições de segurança? Pelo contrário. Se há investimento que deve ser feito é neste setor, vital do ponto de vista social e com marcas indeléveis que ficarão para o futuro. O levantamento de necessidades deve ser rigoroso e a pressão política inflexível, tanto em meios como, sobretudo, em recursos humanos que assegurem segurança e qualidade pedagógica.

Diferente, muito diferente, é o aproveitamento que se vai fazendo das lacunas para defender que se deve ir desde já para um plano B, optando por um regime misto que inclua aulas não presenciais. Só quem vive numa bolha social pode ainda não ter percebido o quão penalizador é o ensino à distância. E não vale a pena falar cegamente em defesa da saúde, porque a saúde tem muitas vertentes, incluindo sociais e emocionais.

Este é o tempo de exigir e de trabalhar afincadamente mas nos canais próprios, sem ruído desnecessário e sem alarmismos que em nada ajudam pais, alunos e professores. As ameaças feitas pelo líder da Fenprof, admitindo processar a tutela em situações de contágio ou morte de professores, são não apenas lamentáveis, mas inaceitáveis para quem deve dar o exemplo de rigor e compromisso com a serenidade entre a comunidade escolar.

*Diretora-adjunta

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