Opinião

#chamava-seEléne

Chamava-se Eléne, chamava-se Eléne. Chamava-se Eléne! Morreu com dois anos, por desidratação severa, com hipotermia, depois de sofrer uma paragem cardiorrespiratória antes de chegar às Canárias e de uma travessia de fuga à guerra e à miséria. Tantos dias num barco. Devíamos chorar todos por ela.

Chamava-se Eléne e, por confusão, políticos e autoridades trocaram-lhe o nome durante dias. A pequena Nabody sobreviveu, felizmente, também ia no bote do infortúnio, mas Eléne não e foi enterrada esta semana.

A mãe de Eléne não sabia que estava na ilha espanhola de Gran Canária quando as encontraram.

Tal como mandam os costumes do Mali, quis que a sua pequena repousasse junto da terra. Numa terra que ela nunca pisou, mas para onde foi atirada à força da violência. Terra que nem chegou a ver.

Chamava-se Eléne, chamava-se Alan Kurdi, lembram-se dele? Foi em 2015, afogado, t-shirt vermelha, cara contra a areia numa praia da Turquia após um naufrágio. Tão pequeno. Devíamos chorar todos por ele. A costa da Europa continua a ser um cemitério de sonhos e as ondas de migrantes batem-nos com força com histórias como a de Eléne Habiba.

Jornalista

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