Opinião

#donosdenada

O meu carro está parado em média 22 horas por dia. Tenho alguns vestidos que usei duas ou três vezes para casamentos - estão parados há meses nos cabides. Estes meses todos de confinamento devem ter sido bons para as traças! Também há as panelas e a loiça que só se usam no Natal.

Tudo isto me faz pensar no enorme desperdício que é ter algo que não é usado.

Há alguns setores que já estão a trabalhar, e bem, no sentido do usufruto e não da posse, como o cinema ou a música. A estratégia comercial de futuro vai passar em alguns casos pela disponibilização de serviços e bens e não pela venda definitiva.

As novas gerações não querem ser donas de carros, querem usar carros, quando precisam.

Imaginemos um pacote em que podíamos ter alguns dias um jipe, outros uma carrinha, um elétrico e, na versão premium, dois dias de acesso a um descapotável para arejar as ideias - era de pensar.

A utilização de um bem, solicitada e paga através de uma aplicação de telemóvel, é um dos caminhos destes novos consumidores, que preferem assinar uma subscrição a deixar carros parados, vestidos pendurados e panelas na prateleira.

*Jornalista

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