Opinião

#LuísDias

Justiça rima com lentidão, cabelos brancos, desespero. Rima com injustiça de tão tardia. O caso Luís Dias é disso exemplo.

O que leva um cidadão a definhar em frente às portas do poder numa greve de fome em direto perante um país inerte, tantos dias a fio? A justiça que não chega, e não vindo não chega o dinheiro com que se vive.

A exposição e o sofrimento a que se submeteu este agricultor são retrato da aflição, deviam encher de vergonha as instituições que representam um país eivado com burocracias e processos nada transparentes, como os que envolvem fundos europeus.

Luís Dias esteve mais de quatro semanas em greve de fome em frente a Belém por não ter conseguido apoios a que terá direito após ver destruído pelo mau tempo um projeto agrícola de amoras onde investiu tudo o que tinha. Fez queixa no Ministério Público em 2017, mas o processo corre há mais de quatro anos, sem fim à vista. E Luís foi por isso expor o corpo ao limite, arriscando a própria vida para fazer-se ouvir, porque sente não ter nada a perder. E por cada caloria que não ingeriu perdemos nós o respeito por uma justiça que anda à velocidade de um caracol, mas um caracol de muletas.

*Jornalista

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