Opinião

#nãonosmatem

Quatro mulheres e uma criança assassinadas, em apenas uma semana. Cinco órfãos em resultado destes crimes cometidos em Espanha. Foi lá que vi uma instalação artística de sapatos deixados na rua para ilustrar o desaparecimento de quem foi arrancado à vida por mãos cheias de sangue. A tragédia da violência doméstica conta-se em toda a parte.

Os peritos tentam apontar razões - como se as houvesse - o regresso à vida social, o agravamento das dificuldades económicas por causa do aumento do desemprego. Por lá e por cá, as razões não impedem os crimes e não sei se em algum momento os conseguem prevenir. Compreender é impossível.

Num relatório da União de Mulheres Alternativa e Resposta sobre as mulheres assassinadas em Portugal em 2020 - foram 16 - em 40% dos casos havia uma denúncia já feita na Polícia e em 80% dos casos as cenas de violência eram já conhecidas.

No caso de Beatriz, asfixiada pelo marido por o chamar para jantar, nada apontaria para uma tragédia assim. Porém, foi morta pelo homem com quem viveu mais de 50 anos, em Gaia.

Vão-se embora, divorciem-se, emigrem, internem-se, mas não as matem, não nos matem.

Jornalista

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