Opinião

#ricosgamanços

"Quem cabritos vende e cabras não tem de algum lado lhe vêm". É uma bela frase da sabedoria popular e também uma metáfora usada num relatório do Tribunal da Relação sobre a Operação Marquês, um documento com que se negou na altura o recurso à prisão preventiva de José Sócrates.

Por estes dias em que o tema do enriquecimento ilícito volta a estar nas bocas de quem se senta para legislar na Assembleia da República, o raciocínio de punir quem compra Ferraris a receber o salário mínimo pode ganhar força de lei. Haja vontade para o fazer, já que estão todos de acordo - bem, talvez nem todos: os que fazem dos cargos públicos um meio para o gamanço descarado são capazes de discordar -, só falta saber se avançam, finalmente, para uma lei que criminalize quem nos rouba a todos ao assumir funções de serviço ao Estado.

O combate à corrupção faz-me por vezes lembrar o combate às alterações climáticas: muito palavreado e pouco impacto para o grande mal que está feito.

Não se trata apenas de punir, o que é de suma importância, trata-se também de impedir e prevenir que mãos demasiado ágeis se agarrem ao que não é delas e que nunca mais vemos devolvido.

Jornalista

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