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À meia-noite entrou a crise

À meia-noite entrou a crise

No dia em que este texto é publicado, já eu comi 12 passas por cada mês de crise que nos espera. Dar as boas-vindas a 2011 é brindar a salários reais mais baixos, a mais impostos e a bens e serviços essenciais mais caros. A verdade é mesmo esta: o embate começa hoje.

E para evitar males maiores, todos os portugueses (ou quase todos) deviam hoje mesmo pegar numa folha quadriculada e fazer um plano mensal de rendimentos e despesas. E perceber onde andam a gastar erradamente o dinheiro, onde podem poupar um euro que seja, onde podem negociar uma nova taxa ou um novo prazo.

Hoje, mais do que nunca, temos de fazer contas à vida. E 2010 foi um ano perdido em termos de poupança. Dirão: poupar o quê? O problema é que, como revelam os dados da SIBS, na semana do Natal gastámos quase 1300 euros por segundo - 260 contos! Entre levantamentos e compras, "torraram-se" mais 100 milhões de euros. E falta saber o que foi para cartões de crédito.

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É que só nos resta mesmo poupar. Ou gastar menos, como se preferir. Porque não é o Estado Social que nos vai salvar. Esse Estado está a ser delapidado a cada dia que passa por um Governo que se diz socialista. E também não nos resta ficar à espera do Governo que, obviamente, está mais preocupado em salvar-se a si próprio.

Mas se Sócrates se encontra no fio da navalha, exige-se-lhe, no mínimo, que ponha o seu Executivo a dar o exemplo. A conter-se nos gastos, nas contratações de pessoal, nos recursos a 'outsourcings'. A legislar de forma igual para todos, acabando com a pouca-vergonha das excepções (e 2010 foi um ano rico...). A pôr os "boys" a trabalhar ou, então, no olho da rua.

E também não fiquemos à espera da Oposição, mais interessada em chegar ao Poder. Estamos, literalmente, por nossa conta. Citando Sun Tzu, "aquele que se empenha a resolver as dificuldades resolve-as antes que elas surjam. Aquele que se ultrapassa a vencer os inimigos triunfa antes que as suas ameaças se concretizem".

P. S. A minoria (será que é?) que não precisa daqueles cálculos podia, neste ano de desafios, adoptar no seu vocabulário a palavra filantropia.

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