Opinião

Em contagem decrescente

Em contagem decrescente

Já é uma prática corrente. E há que sublinhar a capacidade de resiliência do ministro das Finanças. A cada Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) que passa o primeiro-ministro tira o tapete a Teixeira dos Santos. Sob o pretexto de esclarecer "equívocos".

Afinal, as pensões mínimas vão ser actualizadas. Mas afinal porquê? O PEC é estrategicamente omisso sobre este assunto. Não há aqui nenhum equívoco. Há é uma margem de manobra para o Governo. Razão pela qual o ministro das Finanças, quando questionado sobre esta matéria pelos deputados, nunca precisou o que iria fazer em relação às pensões mínimas. Era um trunfo na manga, também ele mínimo.

E assim se reduz um debate a um precioso equívoco. A uma desinteressante troca de acusações. A uma lavagem de roupa suja em busca de um cangalheiro para o País. Triste democracia a nossa que, naquele que é um dos momentos mais difíceis, da Nação, se nivela tão por baixo.

Portugal perdeu a face. O PEC jamais sairá do papel. E com isso faremos pior figura do que os gregos nos próximos dias em Bruxelas. E se assim é, então que entre a infantaria. Que venha o Fundo Monetário Internacional, o Banco Central Europeu, alguém que não esteja preocupado em gerir agendas políticas e se concentre em adoptar medidas com impactos imediatos.

Se é para ser a doer, como sabemos, por experiência própria, que é, então que seja já. Porque esta lenta caminhada para o precipício é o pior que pode acontecer aos portugueses, às empresas e ao Estado. Porque enquanto durar este circo político, os investidores engordam as suas contas. E outras agências de notação financeira seguirão o caminho da Moody's e cortarão o rating de Portugal. Porque nem todos têm a capacidade de resiliência de Teixeira dos Santos.

P.S. O socialista António Costa, na qualidade de comentador televisivo, disse que a "comunicação do ministro das Finanças da passada sexta-feira ficará certamente para a história como a mais desastrada e desastrosa que alguma vez foi feita em Portugal". Ontem, explicou que "o que é importante na vida política nacional é que a temperatura baixe e que as pessoas esclareçam o que há para esclarecer". Sem comentários.

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