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Opinião

Incontinência fiscal

Hoje, acordámos todos no sítio errado, na hora errada. Bem, todos não, mas já lá vamos. De manhã, muitos foram os nortenhos que demoraram o dobro do tempo a chegar ao trabalho. Para fugir às SCUT, esbarraram nas alternativas. Quanto ao princípio da universalidade, nada a opor. Excepto que deveria ter entrado em vigor para todos e não só para alguns.

Como se já não bastassem as filas, a rádio não parava de dar socos no estômago. Dia de Orçamento do Estado. E a sensação de que perdemos metade do peso sem pôr o pé no ginásio. E a convicção de que, mais uma vez, nos enganaram. Afinal, os cortes nas deduções fiscais de progressivos nada têm. É mentira que quem ganha mais vai deduzir menos.

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E basta olhar para as tabelas. Contas feitas pelo JN e validadas pela PricewaterhouceCoopers revelam que quem ganhe até 18 375 euros poderá ver a factura fiscal agravada em 2635 euros. Mas, pasme-se, quem aufira rendimentos superiores a 153 mil euros fica-se pelos 1588 euros. Tendo, para este último escalão, o Governo fixado um limite máximo de 1100 euros de deduções à colecta, superior a escalões inferiores. Alguém me explica por que razão pura e simplesmente não eliminaram aquela dedução? E o mesmo para os benefícos fiscais que, a partir do 3.º escalão, de tão ridículos que são mais valia desaparecerem.

Depois vemos as novas tabelas de IVA e é o descrédito total. Leite achocolatado (aquele que o Estado põe nas escolas) ou enriquecido (que muitas crianças tomam por recomendação médica) passa da taxa reduzida para a máxima num fechar de olhos. Para os 23% sobem também os enlatados, tipo salsichas, feijão. Eu só vejo uma explicação para isto. Para acalmar o lóbi da indústria de refrigerantes, o Governo decidiu colocar ao nível das gasosas o leite. Como quem diz, afecta a todos.

E os cortes na despesa? Fora o desbaste na Função Pública, à hora a que este texto é escrito desconhece-se quantos institutos públicos e empresas municipais vão desaparecer, a grandeza das cativações em sede de PIDDAC e quantos "boys" vão para o olho da rua.

Apenas uma certeza. Nesta crise, vamos todos à boleia... do TGV. Com o argumento de que os benefícios são superiores aos custos. A curto prazo, claro. Mas como é esse o prazo do Governo, quem o suceder que faça as contas. Como este fez com as SCUT, lançadas também por um outro Governo socialista.

P. S. Desculpe a azia provocada, mas olhe que para o ano a luz aumenta 3,8%.

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