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Merecíamos muito melhor

Merecíamos muito melhor

A primeira semana do ano, que hoje finda, é um péssimo pontapé de saída para um 2011 que se exige transparente e rigoroso. E em nada dignifica Portugal nesses temíveis mercados externos. Os mesmos que voltaram a colocar a dívida acima dos 7%. Mas parece que, enterrado 2010, os juros, hoje, já não são motivo de preocupação.

O que interessa mesmo (aos portugueses não é com certeza, mas já lá vamos) são os jogos político-partidários num nível que envergonha a democracia. Parece que ninguém aprendeu com as "escutas a Belém" e o "Freeport". Só isso explica a lavagem de roupa suja em torno do BPN.

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Aquela que se arriscava tornar-se das campanhas mais desinteressantes de sempre promete agora prolongar-se no tempo. Mas não por se estar a discutir o futuro do país ou soluções para dar a volta à crise e devolver aos cidadãos o Estado social. E que ganhará ainda mais vida com a ida de Oliveira e Costa a tribunal e com a audição de figuras como Teixeira dos Santos ou Faria de Oliveira no Parlamento.

Tudo porque Cavaco Silva conseguiu valorizar as acções que tinha na SLN em 140 %. E como em tempo de guerra não se limpam armas, multiplicaram-se os ataques, com Cavaco a embrulhar-se nas próprias explicações, a jogar à defesa, desviando as atenções para a actual Administração do banco, julgando-se sempre superior a tudo e todos. "Para serem mais honestos do que eu sou tinham de nascer duas vezes". Lemos e não acreditamos. Eu, pelo menos, não posso acreditar que aquele que quer presidir à minha República tenha proferido semelhante.

Mas dita, falta-lhe contexto. Porque se assim é, por que razão não desmonta, de uma vez por todas, a operação que realizou com a SLN? Como disse ontem Francisco Pinto Balsemão, "estes casos são menores e deviam ser totalmente esclarecidos para a campanha não ser desfocada e para se poder entrar na discussão dos assuntos que interessam".

E aos portugueses não interessa a trica política, mas as menos-valias com que entraram em 2011. Pena é que os nossos políticos não respeitem um pouco mais a inteligência daqueles que (supostamente...) neles confiam.

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