Opinião

O cúmulo do desrespeito

O cúmulo do desrespeito

Já todos sabíamos que vinha aí a Infantaria - FMI, BCE, FEEF, todas as siglas e mais alguma vão entrar a matar. A soberania foi entregue. O país rendeu-se. Mas tal não justifica o total desprezo a que os nossos políticos votaram os portugueses.

O que dizer de um ministro das Finanças que anuncia que o país vai ser intervencionado através de uma resposta por escrito ao "Jornal de Negócios" online? Ou de um primeiro-ministro que de manhã negava a pés juntos qualquer pedido de ajuda e ao início da hora dos telejornais, após escolher a pose que mais beneficiava a sua imagem (ainda há quem acredite nisso...), punha os sinos a tocar a rebate?

E de um presidente da República que de tão fã das redes sociais "falou" com os portugueses sobre o resgate através do Facebook? Ou ainda de um líder da Oposição, candidato a primeiro-ministro, que tem a lata de dizer que o "pedido de ajuda se faz para que os portugueses vivam com menos angústia"?

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Teixeira dos Santos, José Sócrates, Cavaco Silva, Pedro Passos Coelho tornaram a semana que agora finda no cúmulo do desrespeito. O que angustia mesmo é termos estes políticos a liderar os destinos deste pobre país. Como escreveu a "The Economist", "políticos indecisos e truculentos não têm ajudado Portugal". E como nós o podemos comprovar!

Por isso, não se admirem agora com a irreverência dos líderes europeus, que rapidamente puseram as garras de fora, mostrando o que a Europa realmente é: um cromático patchwork. Ontem, os predadores saíram da toca.

O ministro das Finanças irlandês, que está neste momento a tentar renegociar os juros de 5,8% impostos pela UE, veio dizer que ficará surpreendido se Portugal não tiver de pagar a mesma taxa da Grécia (5,2%). Que é como quem diz: baixem os nossos juros.

Já o titular da pasta das Finanças da Finlândia veio reivindicar que o plano de ajustamento "tem de ser mais duro e mais abrangente do que o pacote de medidas que o Parlamento chumbou". Ele que quer ser o próximo primeiro-ministro de um país cada vez mais anti-UE.

Valha-nos Espanha. Literalmente no pêndulo, ainda se consegue defender - refutando qualquer comparação com a actual situação portuguesa - sem nos tirar o tapete. "Vamos estar aí [em Portugal] pela nossa união com o país e por tudo o que temos partilhado", disse Rubalcaba. Mais uma lição de nuestros hermanos.

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