Opinião

O futuro começa hoje

Às 15 horas de hoje, no Parlamento, começa a ser negociada a solução para o imbróglio em que nos encontramos. Felizmente, a discussão será feita por técnicos, com uma diminuta dose de política. Até porque, e conforme o provam os últimos dias, os políticos têm-se esquecido de um ponto essencial da sua condição: dialogar. Antes pelo contrário, dizem-se dispostos a conversar, mas de imediato matam o receptor da mensagem.

O duelo é de titãs. Teixeira dos Santos e Eduardo Catroga serão os responsáveis pelo sucesso, ou insucesso, do futuro, por muito imediato que seja, do país. Os donos do Orçamento são agora dois homens que em comum têm a experiência e a maturidade académica e política.

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Hoje é o dia em que ânsias de protagonismo têm de ser postas de parte, em que convicções político-partidárias, e até mesmo pessoais, têm de dar lugar ao interesse nacional, ao bem colectivo. E esse bem é o nosso futuro enquanto país independente. Independente do FMI, das agências de "rating", da Comissão Europeia e dependente, agora mais do que nunca, dos portugueses. Porque são eles que são chamados a pagar esta crise.

Crise que nos tentaram vender de rosto invisível - lembram-se da crise financeira internacional? Crise social - e vem o PS defender o Estado social ! - que os cidadãos tão bem conhecem quando ao dia 20 (com sorte) já não têm dinheiro para o resto do mês. Crise política, provocada por amadorismos e egocentrismos.

O que separa agora o Governo do PSD já não é o conceito. Ambos afrouxaram as extremadas posições em matéria de impostos. O que os separa, segundo contas do "Jornal de Negócios", são 500 milhões de euros. Um submarino.

E este país, para cantinho à beira-mar plantado, tem uma vasta esquadrilha de submarinos. Ainda esta semana encomendámos mais um para o BPN - 400 milhões de euros para reforçar o capital daquele banco antes de concluir a sua privatização. Só no BPN - e nenhum risco sistémico me convence da necessidade e oportunidade da intervenção do Estado - estão encalhados qualquer coisa como nove submarinos. Via CGD, ou seja, via Estado, que é como quem diz através do meu e do seu bolso.

Mas se para o BPN um submarino parece coisa pouca, o que hoje sobe à mesa das negociações é vital. Saibam Teixeira dos Santos e Catroga estacioná-lo da melhor maneira nas contas do Estado. A bem dos 10 milhões que ainda não desistiram de ser portugueses.

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