Opinião

O país que é só por si uma excepção

O país que é só por si uma excepção

1. Ouvimos e não queremos acreditar. Não é que para compensar o corte de 5% nos salários dos funcionários públicos decidido pelo Executivo, em sede de Orçamento do Estado para 2011, o Governo regional dos Açores, liderado - sublinhe-se - pelo socialista Carlos César, decidiu atribuir um subsídio de igual montante para quem aufira até dois mil euros?

Seríamos todos, de facto, mais felizes se o Estado tirasse com uma mão e desse com a outra. Mas nem todos somos filhos da mesma Nação, está visto. E este é apenas mais um exemplo das excepções - que já são a regra. E que me envergonham.

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Como se tal não bastasse, algumas reacções políticas do Continente são também de levar às lágrimas. Se o PSD, que votou contra, se mantém coerente e exige explicações ao ministro das Finanças, já do CDS não se percebe tanta indignação. Vem Cecília Meireles dizer que os sacrifícios "ou são para todos ou não são para ninguém", pelo que vai questionar Teixeira dos Santos sobre a matéria. Eu diria que a deputada popular tem toda a razão... mas esqueceu-se do pequeno pormenor de que o seu partido, quando a medida foi votada no Parlamento açoriano, optou pela abstenção. Se a revolta é tanta, não deveria ter votado contra?

2. Outro paradigma das excepções portuguesas são as SCUT. Que, como sabemos, são pagas a Norte e a Sul não. Mas sobre isso estamos conversados. O pretexto para falar agora das SCUT prende-se com uma curta viagem que fiz - passei apenas por um pórtico porque não me apeteceu ficar parada nas ditas vias alternativas.

Primeiro, a lei dá-me apenas dois dias úteis para, em caso de ausência de dispositivo electrónico, pagar a factura. Depois, para 20 cêntimos de portagem, foram-me cobrados 30 cêntimos de custos administrativos (um "case study"...).

Mas dando estas evidências de barato, o que eu não posso admitir é que a concessionária não me diga, na referida factura, em que SCUT passei, em que dia e a que horas. Apenas sei que o meu carro "deve" 50 cêntimos. Pelo que peço ao secretário de Estado Fernando Serrasqueiro que não deixe passar impune semelhante violação aos direitos dos consumidores.

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