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Pontes para a interioridade

Pontes para a interioridade

Dilma fecha a porta da pré-primária da freguesia da Raiva. Os baloiços e os cavalinhos estão parados. O sol ameaça pôr-se sob o olhar atento do rio. Desse fatídico Douro. Mesmo ao lado está a memória dos pais. Porque esta auxiliar de acção educativa nunca os pôde enterrar. Os corpos nunca apareceram. Como tantos outros das 59 vítimas da queda da ponte de Entre-os-Rios.

Dilma conciliou-se com o Douro. Mas nem todos os familiares das vítimas conseguiram. Seguiram em frente, o melhor que puderam e souberam, e hoje, dez anos volvidos, já só querem pensar no futuro. E que deixem de os ver como "coitadinhos".

Quem seguiu rapidamente em frente foram os sucessivos governos. Debaixo dos holofotes mediáticos da tragédia prometeram-se acessibilidades. Em memória daqueles 59 paivenses apregoou-se um ponto de viragem, conciliando o interior com o litoral. As luzes apagaram-se e tudo se remeteu ao esquecimento.

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Choca olhar para as duas pontes que substituíram a antiga Hintze Ribeiro. Nem o povo as compreende. Para quem só pedia obras de intervenção, foi preciso um colapso para lá porem duas. Que não ligam a lado nenhum, apenas as margens. Porque o prometido IC35 nunca saiu do papel.

Dirão, é certo, que estes investimentos demoram o seu tempo. São estudos atrás de estudos. Até que no Verão de 2009 é assinado um despacho que lança a concurso a subconcessão do Vouga. Entretanto suspensa. E porquê? Devido "aos compromissos estabelecidos no PEC, nomeadamente com o principal partido da Oposição que exigiu expressamente a suspensão destes investimentos", explica o Ministério das Obras Públicas.

Este Governo é socialista, como o era o de António Guterres em 2001, mas não pode levar com as culpas do que não foi feito. Contudo, devia ponderar melhor as palavras. É que o despacho é de Agosto de 2009 e o acordo com o PSD foi assinado em Outubro de 2010. Ficam 14 meses sem resposta. Que os paivenses, legitimamente, exigem. Não por causa da tragédia, mas por uma questão estratégica de sobrevivência. Porque se para o Governo o TGV é fundamental para nos posicionar na Europa, para Castelo de Paiva aquelas acessibilidades são fundamentais para chegar ao litoral. Tão --somente.

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