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Quem os viu e quem os vê

Quem os viu e quem os vê

Quem viu, na passada quarta-feira, CGTP e UGT na apresentação da Iniciativa para a Competitividade e o Emprego não percebe como é que aquelas centrais sindicais se uniram na greve geral.

João Proença juntou-se a Sócrates e aos "patrões" para considerar "globalmente muito positivas" as medidas viradas para o "crescimento do emprego e para a dinamização da economia". Fora da fotografia de família - e como também já é hábito - Arménio Carlos, da Comissão Executiva da CGTP, condenou a "facilitação dos despedimentos por via da redução das indemnizações".

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Antes de mais, acho prematuro que tanto a CGTP como a UGT tenham extremado posições sem conhecer os detalhes da proposta que será agora discutida em Concertação Social - pequenos pormenores, digo eu, porque, como é costume, o Executivo não estará na disposição de ceder muito, esvaziando por completo aquele órgão.

Mas, acima de tudo, não percebo como é que uma União Geral de Trabalhadores pode concordar com a redução das indemnizações em caso de despedimento. Sobretudo se tivermos em conta que, tal como revelou a ministra Helena André, os trabalhadores terão de descontar para um fundo que garantirá o pagamento dessas compensações.

"Não é simpático contratar alguém e dizer-lhe que vai financiar o seu próprio despedimento". Se acha que a frase é de um sindicalista, desengane-se. É mesmo de Francisco van Zeller, ex-presidente da CIP - patrão, portanto.

E mesmo do lado do patronato a montanha arrisca-se a parir um rato. Porque o entusiasmo inicial com a flexibilização dos despedimentos rapidamente esmoreceu, mal se ouviu a palavra comparticipação. É que os patrões gostam da medida, mas desde que seja outro a pagar a factura. E como o Estado diz que não mete um cêntimo no referido fundo, o mesmo arrisca-se a não conhecer a luz do dia. O que até não era mal visto.

P.S. Ontem, Angela Merkel conseguiu deixar-me emocionada, ao mostrar-se "impressionada" com as medidas anunciadas por Sócrates, estrategicamente na véspera do Conselho Europeu. Qual FMI ou BCE? É mesmo para alemão ver.

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