Opinião

Quem vai a votos é o FMI

Quem vai a votos é o FMI

A 5 de junho quem vai a votos é o FMI. Até lá, a campanha centra-se no jogo do empurra sem que sejam apresentadas quaisquer soluções para o país. Porque se é importante pagar o que devemos, também é fundamental gerarmos riqueza.

A falta de sentido de Estado dos nossos políticos vai sair-nos muito cara. A luta pelo poder em detrimento do bem nacional atirou para a lama a imagem de um país que se queria credível. O exemplo que está a ser transmitido a gerações futuras não podia ser pior. Passado o 1 de Abril, é esta a dura verdade, que já nem sequer surpreende.

O jogo do empurra a que vimos assistindo é digno de brincadeira de crianças. Com um pequeno senão. À pequenada não se exige tamanha responsabilidade.

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Porque ninguém pode tolerar que primeiro se diga que não é preciso ajuda externa - como se já não tivéssemos sido "resgatados" pelo Banco Central Europeu há meses! - e, passados uns dias, já se ponha essa hipótese em cima da mesa. Mas com o argumento de que, agora, faltam os poderes para accionar o pedido. Foi o que fez o Governo, concretamente o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos.

Por outro lado, nenhum líder que se pretende sério pode chumbar um PEC e, volvidos meia dúzia de dias, vir dizer que dará carta branca ao Executivo em caso de SOS. "O que o Governo tiver de se comprometer no exterior, seja num quadro ulterior de ajuda, seja de garantias que tenha de dar, será respeitado pelo PSD". Portanto, se essas garantias corresponderem ao PEC IV (já validado por Angela Merkel e Jean-Claude Trichet, no fundo, quem interessa, apesar da falta de chá de José Sócrates) Passos Coelho não se opõe. O que mudou?

5 de Junho. É a resposta a este filme de segunda categoria. Se o Governo tiver de pedir ajuda, o PSD encarna o papel de coitadinho - tinha de ser, a bem da Nação; nós bem avisámos; sentido de Estado; e por aí fora... O que não aconteceria se validasse o PEC - teria, mais uma vez, ajudado o Governo a subir impostos.

Mas, não aparecendo esse pedido - e é essa a estratégia, adiar o inadiável, com consequências surreais para os portugueses -, Passos Coelho será sempre o homem FMI. De facto, no início do calor de Junho, quem vai a votos é esse papão norte-americano (que, por acaso, é mais europeu do que se pensa).

Até lá, a campanha centra-se nesse jogo do empurra sem que sejam discutidas e apresentadas quaisquer soluções para o país. Porque se é importante pagar o que devemos, também é fundamental gerarmos riqueza, crescermos. E de Economia, até hoje ninguém ouviu falar.

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