Opinião

Não liguem ao Yashoda

Não liguem ao Yashoda

Joga-se hoje o Portugal-Alemanha, o desafio mais difícil do chamado grupo da morte, que na verdade se chama "grupo F", letra que sugere um nome mais sugestivo do que "da morte".

É mesmo um grupo f*****. Alguns dirão que o França-Portugal tem um grau de dificuldade ainda maior mas penso que não, desde que Éder os f****... Como dizem os especialistas, hoje jogamos contra a História. Como digo eu, antes fosse, meus amigos. Antes fosse. A História é fácil de derrubar, como se viu no livro recém-lançado por José Gomes Ferreira. Nunca se ouviu "são 11 contra 11 e no fim ganha a História".

A Alemanha, sim, é um osso duro de roer. Passando os olhos pelo nosso cadastro frente aos alemães percebemos que não é famoso. Contam-se pelos dedos, e não é preciso uma mão inteira, as vitórias lusas. Em 1983, Dito carimbou o resultado com um golo solitário, no estádio do Restelo. Ok, podem desvalorizar o feito lembrando que era um amigável, mas nós conhecemos os alemães, não há cá amizades que os detenham. Em 1985, foi a vez de Carlos Manuel, com um golaço, derrotar a Alemanha e garantir o apuramento para o Mundial de 1986. Depois foi preciso esperar bastante até vermos "Portugal 3 - Alemanha 0", numa ilustração perfeita de David contra Golias: Conceição contra Oliver Kahn.

De resto, Portugal tem sido muito consistente, ao longo das últimas décadas: conseguiu perder contra a Alemanha nazi, a Alemanha Ocidental e a Alemanha contemporânea, pós queda do muro de Berlim. Se tem Alemanha no nome, em princípio vamos perder. Jogando pelo seguro é melhor dizermos que hoje temos um Portugal-Mannschaft, para os atletas não entrarem já condicionados.

A verdade é que do nosso registo fazem parte também uma série de empates e nisso Fernando Santos já provou ser especialista. Por isso, e se eu hoje de repente reencarnasse num elefante e calhasse ser o Yashoda, simpático animal que adivinha os resultados do Euro, apostava no 1-1. Se perguntarem ao Yashoda, a troco de um amendoim, é provável que ele dê vitória da Alemanha, mas está a deixar-se levar pela emoção, já que vive no Jardim Zoológico de Hagenbeck, em Hamburgo.

Não acreditem nele. Confiem em mim, que vos digo que não vamos ficar de trombas no fim do jogo.

Humorista

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