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CDS, uma breve história

CDS, uma breve história

O CDS foi a Aveiro, terra onde desenvolveu alguns pergaminhos, para encontrar o sucessor de Assunção Cristas que se despediu com muita dignidade.

Uma intervenção paternalista e infeliz do antigo ministro da Economia do dr. Portas, o simpático empresário Pires de Lima, desfez as dúvidas dos congressistas. E, de líder da juventude do partido, Francisco Rodrigues dos Santos ascendeu directamente a presidente do CDS.

As "gerações populares" estão, por natureza, mais familiarizadas com a história de relativo sucesso do partido neste século: a presença em três governos de coligação com o PSD e a conclusão de uma legislatura, na derradeira, sob a liderança de Pedro Passos Coelho.

Mas o CDS nem sempre foi assim. Em 1976, foi o único partido a votar contra a Constituição. Todavia, menos de dois anos depois, estava no II Governo Constitucional com Mário Soares. A mesma perspicácia que usou para meter o partido nesse "acordo de incidência parlamentar", ficando ele e o líder Freitas do Amaral fora do Governo, Adelino Amaro da Costa voltou a usá-la para acabar com esse executivo por causa da agricultura. No Verão de 1979, o mesmo CDS juntou-se ao PSD para criar a Aliança Democrática, o movimento fundador da Direita do regime. Do CDS viria o primeiro-ministro da Cultura com pensamento estruturado para o sector e não só: Francisco Lucas Pires.

O "cavaquismo" foi penoso para o CDS, razão pela qual a direcção de Manuel Monteiro fez vista grossa à primeira candidatura presidencial de Cavaco em 1996. Por essa altura, diante do Governo minoritário de Guterres, regressou a tentação de dar uma mãozinha ao PS. E em 2009, Portas não se livrou da fama de a poder ter repetido com Sócrates igualmente minoritário. O resto da história ainda está morno.

A longa liderança de Portas instituiu um mandarinato atípico de "jovens turcos" e "turcas" que Cristas deixou solto em deslumbramento mediático, "correcto" e, nalguns casos, de cumplicidade com a suposta "moral cultural superior" das esquerdas. Isto baralhou o eleitorado "tradicional" do CDS que outorgou 4% e cinco deputados ao partido em Outubro. Tudo somado, Francisco Rodrigues dos Santos não tem a tarefa facilitada, o que torna o desafio político e pessoal mais estimulante. Nada se conseguirá à Direita sem a juntar toda num mesmo movimento federador para disputar eleições à Esquerda. Tergiversações oportunistas não costumam render salvo no curto prazo e por dois ou três lugares. Confio que Rodrigues dos Santos o saiba.

Jurista

o autor escreve segundo a antiga ortografia

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