Opinião

O "costismo" revisitado

O "costismo" revisitado

O sol esteve demasiado baixo todo o horrível Agosto a poucos dias de, felizmente, acabar. O país continuou a ferro e fogo por causa dos incêndios e do "improviso organizado" que conseguiram armar a partir de Carnaxide, sede da Protecção Civil, e do gabinete da dra. Urbano de Sousa. As conclusões de Pedrógão Grande vão ter de esperar pelas autárquicas. Da mesma maneira que os milhões recolhidos aguardam melhor ventura para distribuição, apesar das necessidades evidentes. Aquelas, as autárquicas, vão sendo induzidas mediocremente pelas televisões em debates estéreis e, nalguns casos, distorcidos que os portugueses acolhem com o justo torpor da indiferença. Nas redes sociais pulula o ridículo da propaganda "localista" e o seu irremediável oportunismo. Herculano - que, antes de morrer, teria dito que era só isso que em Portugal dava vontade de fazer - sumiria segunda vez se lhe calhasse contemplar a destruição metódica do seu encarniçado "municipalismo" em nome do "progresso". Entretanto o Governo e os seus "parasitas", o PC e o Bloco, fingem "negociar" o Orçamento enquanto o sorvedouro da dívida não pára de crescer. A "negociação", famosamente, só pode desembocar em mais dívida e em mais agressividade fiscal encapotada. Com o sol baixo, o regime todo - como as vontades e a "vida material" - apodrece mais rapidamente. Costa "capou" politicamente o país. Retirou-lhe a realidade e despertou um viçoso "dever ser" usado pelo poder - e, por omissão, pela nula e complacente Oposição - como uma espécie de barreira psicológica ao essencial. Uma secretária de Estado, a do cliché da "modernização administrativa", concedeu uma entrevista onde apenas sobrou o autotestemunho público da sua sexualidade para conforto do "meio". Que era, aliás, o que se pretendia: "esta minha afirmação é completamente política". O sol persistiu baixo e os incêndios continuaram. Seguiu-se a "recomendação" da "comissão de igualdade", aceite imediatamente pelo Governo e pelos visados, para retirar de circulação uns caderninhos escolares inócuos por alegado "estereótipo de género". Isto é, censura e autocensura com a bênção do jacobinismo feminista e boçal que se instalou no Estado PS do novo "costismo". "Indo até onde for preciso, sendo preciso", sentenciou António José D" Almeida, o da estátua, no contexto da Primeira Guerra. António Costa disse o mesmo, por outras palavras, em Faro, como sucessor legítimo do "grande caudilho" Afonso Costa. Vai até onde for preciso. Mesmo não sendo preciso.

O autor escreve segundo a antiga ortografia

* JURISTA