Opinião

Os caminhos da Direita: o olho, a feira e a baleia

Os caminhos da Direita: o olho, a feira e a baleia

A Direita, ou seja, o espaço político liderado pelo PSD e que inclui o CDS, pequenos partidos e "iniciativas", normalmente em coligações autárquicas, e outras manifestações similares emergentes, tem de decidir sob que forma tenciona aparecer ao país nas eleições legislativas. Já se percebeu que, salvo algum imprevisto, concorrerá separada às decisivas europeias de Maio de 2019. Os cabeças de lista, e a restante tropa, serão recrutados consoante os "arranjos" e as "promessas" feitas a este e aquele (ou aquela) dentro de cada partido. Haverá repetições serôdias, que já não acrescem nem trazem novidade por muito beneméritas que sejam, e "estreias" porventura ainda mais serôdias por causa daqueles "compromissos" ou das contingências, como no caso da nova "Aliança" de Santana Lopes. No regime, ninguém parece dar-se conta da importância de uma coisa que está apenas à distância de nove meses e que pode alterar drasticamente a configuração parlamentar europeia, acabando com a preeminência política dos dois partidos europeus tradicionais. Macron anda num périplo a falar numa "união progressista" contra a "ameaça" apelidada de populista. E, nos casos mais inapeláveis de pensamento comunicativo débil, de extrema-direita que é como a língua de pau titula o que floresce pelo voto popular precisamente por causa da língua de pau. Viu-se, aliás, ontem na Suécia. Só Marisa Matias deu nota nacional da séria possibilidade das maiorias "habituais" mudarem em Bruxelas e Estrasburgo, o que dá bem a medida da extensão da inconsciência do sossego democrático "médio" europeu. Em Portugal só o superficial é profundo para tranquilidade do dr. Costa. Rui Rio não faz oposição, a não ser levemente e só depois de zurzir a intendência interna que o obceca. Cristas é esforçada, mas o CDS não chega. E o resto ainda se está para ver que história contará. Morais Sarmento, sempre eloquente, resumiu bem o estado desequilibrado da arte na "universidade" do PSD. A propósito das diferenças entre o partido de que é vice-presidente e o PS, terá dito que "é como confundir o olho do cu com a feira de Sintra". Não especificou qual era qual. Fica, pois, um conselho de Herman Melville, em "Moby Dick", para quem o quiser reter nos atribulados caminhos da Direita: "é preciso ser-se uma grande baleia para descer a cinco milhas e mais". Quem diz descer, diz subir.

JURISTA

O autor escreve segundo a antiga ortografia

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