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Opinião

Salvação e danação do SNS

Salvação e danação do SNS

Como se costuma dizer, com a saúde não se brinca. Todavia, e de acordo com um relatório internacional recente, Portugal prima pelas chamadas cativações orçamentais em dois sectores "sociais" fundamentais: a saúde e a educação.

Centeno, até por isso, possui todas as condições para, sem ser candidato nas eleições europeias, figurar como o Grande Irmão do PS para essas eleições, aliás bem sugerido pelo secretário-geral numa "convenção" no Montijo.

As omeletes de Centeno, que o guindaram a presidente do Eurogrupo, não se fazem evidentemente por o homem exalar poderes mágicos ou taumatúrgicos a partir dos ovos domésticos. Centeno é um fundamentalista do Tratado de Lisboa e isso paga-se, pagamos, cá. As contas chegam, de facto, bonitinhas a Bruxelas porque o Ministério das Finanças é, relativamente a outras tutelas, designadamente a Saúde, o único que conta. As discussões correntes sobre o SNS, e a sua lei, bem como a greve dos enfermeiros, devem ter isto em conta, embora a cacique socialista que Costa enfiou na 5 de Outubro ajude famosamente à festa. O currículo político-administrativo da senhora dava logo a entender ao que vinha. O trabalho de Maria de Belém sobre a reforma do SNS foi a primeira vítima da sua insolência manipuladora. Marcelo ainda se pôs ao lado da antiga ministra, mas já deu a entender que, afinal, e apesar de estarmos em plena campanha eleitoral para tudo e mais alguma coisa, a proposta de lei das esquerdas, com a bênção da referida cacique, tem pernas para ele a promulgar. Prossegue, entretanto, a greve "cirúrgica" dos enfermeiros que o regime, independentemente de um juízo primitivo de "prós e contras" acerca da sua justeza, usa para esconder o que anda a fazer ao SNS vai para quatro anos. A cobardia cúmplice do PC e do Bloco nisto é por demais evidente para gastar duas linhas com ela. A vida humana é inviolável e não acredito que haja um enfermeiro que seja a pôr isso em causa. Se o fizer, é um criminoso simples e não um profissional. E eu, sem querer defender ninguém, estou como o Vasco Pulido Valente. A minha experiência, ou a da minha Mãe, em hospitais públicos e privados, e sobretudo a do meu Pai no IPO, há 15 anos, não permitem outra conclusão: "quem nos trata, quem está ao pé de nós, quem nos conhece, não são os médicos, são os enfermeiros". O SNS, que é público e é privado, não se salva com a ideologia a correr-lhe nas veias. Nem com serventuários patéticos dos partidos.

*JURISTA E MEMBRO DO PARTIDO ALIANÇA

O autor escreve segundo a antiga ortografia