Opinião

Kim Jong Crato, o ministro da reeducação

Kim Jong Crato, o ministro da reeducação

Como noticiou este jornal, "o Conselho de Ministros aprovou, na passada quinta-feira, alterações a um diploma que permite agora o recrutamento de elementos das Forças Armadas na reserva para fazer vigilância nas zonas escolares". Mais adiante explica-se sucintamente a "razão de ser" do extravagante exercício. "As principais missões serão a de zelar pelo cumprimento dos regulamentos das escolas, "requerendo o auxílio de forças de segurança, sempre que for justificado". Sensibilizar os alunos para a conservação e gestão dos equipamentos das escolas e "impedir a prática de qualquer tipo de agressão, verbal ou física, entre os membros da comunidade escolar" são outras das tarefas atribuídas. O MEC sublinha ainda que as escolas poderão contar com os militares para "defender os direitos das crianças e jovens da escola onde prestam serviço, protegendo-as de qualquer forma de abuso" e para detectar ilegalidades e infracções às regras da escola".

Esta manifestação da mais pura estupidez sistémica - é sistémica porque o prof. Crato parece ter contagiado o Conselho de Ministros com esta aberração - ignora duas ou três evidências. Desde logo a circunstância de que a autoridade máxima numa escola, e dentro das salas de aula, é o professor. É dele, e apenas dele, que depende a manutenção da disciplina uma vez que esta não se aprende no recreio: ou começa na sala de aula ou nunca chega a começar. Trazer para dentro da escola o conhecido pau, por interpostos militares na reserva, é perverter a função da escola sem resolver um dos alegados "problemas" que tão distintas almas iriam extraordinariamente tratar.

A insegurança, as "ameaças", o incumprimento das "regras" ou os "abusos" decorrem, no essencial, do que se passa fora da escola: em casa, na família, nos tempos livres fora da escola entre "amigos", nas redes sociais a que os meninos se atiram 24 horas por dia como gato a bofe.

O prof. Crato, um tremendo erro de casting e de carácter deste Governo, julga que pode sossegar a escola pública transformando-a numa espécie de campo de reeducação onde convivam harmoniosamente o referido pau e, por hipótese, Fernando Pessoa ou Pitágoras. Esta gente que, durante o PREC, andou de socas pretas nos pés e com o livro vermelho numa mão é perigosa. Talvez os militares na reserva fossem mais úteis a "defender" a escola destes fanáticos reconvertidos que têm presidido sucessivamente ao caos na educação. Vejam lá isso.

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