Opinião

Não há vergonha

De um lado estão os sobreviventes que se soerguem aos poucos, como podem e por si, enquanto o Estado se entretém no jogo reles da incompetência e da leviandade. Do outro, Costa esteve no debate quinzenal com as mesmas língua e cara de pau com que mandou "estudar" a sua popularidade após a prestação medíocre do Governo, e do Estado, no dia do incêndio e nos dias seguintes. A prioridade das prioridades é sempre ele e a sua "imagem" de "santinho do pau seco" socialista que vela por nós, pobres de espírito, no que corre bem. Os ministros, desnorteados, só destilam disparates. As prestações parlamentares de Constança de Sousa roçaram o patético. Ela sabe que foi "um grande incêndio" e encomendou relatórios às postas aos seus. O resto - o resultado de inquéritos e relatórios entrecruzados e contraditórios entre eles - fica para se saber depois das autárquicas. Capoulas, o da agricultura, sugeriu que a área ardida fosse usada como "laboratório" da "reforma da floresta" à qual o Governo já dedicou dois ou três inúteis conselhos de ministros e um "Diário da República" pintado a verde. Das "autoridades" e do SIRESP nem vale a pena falar, como ficou bem patente no último programa de Sandra Felgueiras na RTP1 e 3. A Protecção Civil, nos últimos meses, andou mais preocupada em mudar chefias, superiormente dirigidas por dois "homens de mão" socialista (o presidente e o "comandante operacional"), do que em preparar-se e preparar o país para o ciclo infernal dos incêndios. O SIRESP, inventado por Costa em 2006, atira-se ao Ministério e distribui dividendos pelos accionistas. O mau festim que juntou as três televisões no Meo Arena rendeu dinheiro para as populações atingidas. Somados todos os donativos, eram 13 milhões a meio da semana passada ainda sem destino ou controlo. Os autarcas, mais em Pedrógão com a dança de cadeiras de Outubro, têm pouca ou nenhuma cabeça para isto. O PREC de Costa prosseguiu com o desaparecimento de material de guerra em Tancos, provavelmente com "informação interna" e demasiado desleixo. Cinco coronéis receberam logo guia de marcha de um chefe improvável do Exército para não "atrapalharem" as "averiguações". Ou seja, duas áreas cruciais de soberania - a Administração Interna e a Defesa - foram seriamente abaladas na sua credibilidade. Mas continua a não haver pedidos de desculpas por parte das "elites" que tomaram conta do Estado. Não há vergonha.

JURISTA

O autor escreve segundo a antiga ortografia

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