Opinião

O obtuso ululante

1. Esta "medida" de fechar concelhos, 191 a partir de hoje, ao fim de semana depois das 13 h e até às 5 h do dia seguinte, é temerária.

A concentração de pessoas, nas partes da manhã, em locais de frequência pública, necessária ou facultativa, ocorrida nestes primeiros sábado e domingo, em 114 desses concelhos, com certeza não contribuiu para mitigar a pandemia. Cria mais pressão e mais gente nos horários ditos normais. E não "salva" Natal algum. É de elementar bom senso explicar desde já às pessoas que não pode haver "Natal e Ano Novo" nos termos habituais. Quer de convívio, quer de consumo desenfreado por causa dos presentes profanos. Desta vez o Natal não pode ser nem sequer "quando um homem quiser". Caso contrário, entraremos por 2021 adentro pior que em 2020.

2. As "autoridades" falharam. E porque as "autoridades" falharam, os portugueses também falharam. Não vale a pena dourar a pílula com os "melhores" disto e daquilo. Foram pelo menos seis meses, desde Maio, de relaxamento social sob o alto patrocínio do Estado não administrativo. Ao abrandamento circunstancial dos números não correspondeu a firmeza elementar dos planos de contingência. Fomos todos arejar e convidados a arejar. E a maioria evidentemente arejou e, com esse arejamento, não cuidou em se prevenir e em evitar comportamentos e familiares de risco. Os reclusos por doença, idade, privação judicial de liberdade, etc., não se infectam por obra e graça do Espírito Santo. Há mãos carinhosas e solícitas que levam a coisa para lá involuntariamente. Quando se disse e redisse que a vida "normal" tinha de mudar, pelos vistos ninguém entendeu. Aí está parte do resultado.

3. O novo governo regional dos Açores será chefiado por um social-democrata, depois de vinte e muitos anos de "cesarismo" socialista, endogâmico e amiguista, e repousa numa coligação "Aliança Democrática" - PSD, CDS, PPM - com apoio parlamentar regional da IL e do Partido Chega. Já o "meio" agitou-se com esta nova situação política insular por causa do Partido Chega. Os bons costumes democráticos não podem aceitar o Chega, quando aceitam que o PC e o Bloco condicionem a política nacional há cinco anos. Um partido, mesmo sufragado livremente, só pode participar na conversa democrática se os "donos" do regime permitirem, como permitem marionetas apensas, estilo "Os Verdes", sem se rir. Marcelo inalou mas não pode engolir. E algumas vestais da Direita compromissória lavraram acta pública de nojo em solidariedade com as "linhas vermelhas" do dr. Costa. Os mornos são vomitados por Deus.

*Jurista

o autor escreve segundo a antiga ortografia

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