Portugal em transe

PSD, o longo curso

Daqui a dias, o PSD escolhe o seu chefe para os próximos dois anos. Dada a natureza das coisas, não é uma escolha indiferente ao futuro médio da Direita.

O incumbente Rio, permitindo e encorajando a cizânia à Direita, não se poupou a esforços para retirar ao PSD o papel da liderança "natural" do espaço político da não Esquerda, ou seja, de federador da alternativa a governos e a maiorias parlamentares liderados pelo PS. Pelo contrário, diluiu gravemente esse papel no absurdo "Portugal ao centro" e na ambiguidade com que se exibe diante dos dois governos socialistas de Costa. Qualquer cidadão desprevenido, e fora do "meio", estará infinitamente mais atento aos minutinhos parlamentares dos deputados únicos, em especial de André Ventura, do que às oratórias nulas e em geral complacentes dos deputados do dr. Rio. Mas o dr. Rio lá vai de novo a votos no partido, sem aberturas ao exterior e com um procedimento administrativo de recenseamento eleitoral interno que, parece, reduziu a coisa de cerca dos 80 mil na eleição de Janeiro de 2018 para metade em Janeiro de 2020. Juntam-se-lhe o antigo líder parlamentar Luís Montenegro e a novidade interessante na disputa, Miguel Pinto Luz que, pela afirmativa, revelou ter a noção exacta das capacidades políticas agregadoras à Direita que o PSD tem de ter se quiser voltar ao poder. A candidatura de Pinto Luz é a única que não é morna nem mole. E digo isto enquanto observador externo porque estou fora do partido há mais de um ano. Todavia, interessa-me saber se a Direita, ou, melhor, o espaço alternativo ao PS e aliados, não cai ou persiste em mãos erradas. Em matéria de desconhecimento político e institucional de qual é o seu porto, já estamos razoavelmente bem servidos por maus ventos, como diria o Séneca. Não sei se, no PSD, haverá uma ou duas voltas para eleger o chefe. Sei que o que esse chefe mais precisará é de autoridade política. E essa não nasce de geração espontânea, nem se afirma mediante banalidades. O limbo dos "líderes naturais" está praticamente exaurido. Dos três candidatos, apenas Pinto Luz apresenta as características que, na marinha, se designam por de longo curso: não tem pressa. Mas, na Direita pós-2015, tudo está em aberto porque as circunstâncias assim o ditam. Até as presidenciais, que não convém fechar imediatamente com exercícios infantis de admiração ou de exclusão. Como digo, o curso é longo. Quem não perceber meta explicador.

Jurista

o autor escreve segundo a antiga ortografia

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