Opinião

Três elogios autárquicos

Três elogios autárquicos

Este jornal é lido sobretudo na Zona Centro e no Norte. Por isso, escolho falar exclusivamente de três cidades a propósito das autárquicas de ontem.

Começo pelo Porto. Se houve alguém que fez uma grande campanha política local, distribuída inteligentemente por temas e lugares, foi o candidato socialista, e deputado, Tiago Barbosa Ribeiro. Vi-a à distância, mas o suficiente para perceber que havia ali genuinidade, empenho e ambição. O resultado de Moreira não ensombra o trabalho realizado no "terreno" por Tiago Barbosa Ribeiro, um jovem político em quem convém atentar. O PSD, infelizmente, deixou de contar no Porto.

Chegado a Coimbra, é salutar para a ecologia democrática, sempre tão débil, que um vetusto dinossauro municipal como Manuel Machado seja substituído por um independente apoiado pelos partidos do centro-direita, o antigo bastonário da Ordem dos Médicos José Manuel Silva, que seguramente terá muito trabalho pela frente após o desastre que representou o derradeiro mandato do socialista M. Machado, ainda presidente da Associação Nacional dos Municípios Portugueses.

Finalmente, a Figueira da Foz. Os leitores decerto perdoar-me-ão que dedique mais espaço à Figueira e ao Pedro Santana Lopes. A Figueira é uma cidade que me é muito querida. Ia lá, pelos princípios dos anos 80 do século passado, ao Festival de Cinema que decorria nos meses de Setembro. A Figueira sempre foi um concelho cosmopolita que, findo o Festival, acabou reposto no mapa nacional a que tem tanto direito como o maior dos concelhos do litoral ao seu norte, ao seu sul ou do interior. Há vinte e quatro anos, Santana Lopes, então pelo PSD, liderou esse processo político municipal e concelhio. Agora, e depois das tentativas mais canhestras para impedir a sua candidatura independente, Santana Lopes recebeu um notável voto de confiança e de reconhecimento do eleitorado, regressando à presidência do município.

É, também, um exercício de humildade política que não pode passar despercebido. Um antigo primeiro-ministro, ex-presidente de um grande partido, ex-líder parlamentar desse partido e, também, antigo presidente da maior autarquia nacional, volta ao serviço público pela mais nobre das portas. Um presidente e um amigo da, e na, Figueira da Foz. Não me ocorre melhor elogio.

O autor escreve segundo a antiga ortografia

*Jurista

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