Opinião

Um coração dividido em partes desiguais

Um coração dividido em partes desiguais

Estamos no quarto dia do Euro 2016, véspera da estreia da nossa seleção. Fazendo um pequeno resumo do que se passou, destaco o golo duvidoso que inaugurou o marcador do jogo de abertura do Euro. É um golo que pode ser explicado citando Jean-Claude Juncker: "Porque é a França".

Dos poucos jogos já realizados, saliento o empate da Inglaterra com a Rússia, com o golo inglês marcado por Eric Dier, a demonstrar a potência mundial que é Alcochete. O jogo permitiu perceber que a relação entre a seleção inglesa e o Sporting não acaba aqui. Estou certo que o responsável pelo cabelo do Rooney é o mesmo que trata do relvado de Alvalade.

Estamos a 24 horas do Portugal-Islândia, confesso que o meu coração está ligeiramente dividido. Desejo a vitória da nossa seleção, mas tenho uma paixão pela Islândia, e considero um feito que um país com menos habitantes do que Lisboa tenha conseguido a qualificação para o Euro. Seria muito difícil Portugal qualificar-se para o Europeu com uma seleção de alfacinhas. Só anexando a margem Sul e mesmo assim tenho dúvidas. De salientar que a Islândia tem menos praticantes de futebol do que Portugal tem lesados do BES; mas também fez por isso.

Segundo li em islandês, a Islândia começou uma revolução no seu futebol há 20 anos, quando o país passou a investir em relvados aquecidos. Uma ideia excelente, se bem que eu prefiro praia. Aquecer relvados num país frio como a Islândia só podia melhorar as condições para a prática da modalidade e atrair mais praticantes. Fazendo uma comparação de que me envergonho, eu era capaz de fazer a Volta ao Algarve em bicicleta se acompanhado de ar condicionado e caipirinhas.

Se fosse eu a decidir o sorteio do Euro, em vez de quem decidiu, a sorte nunca ditaria um Portugal-Islândia. Esquecendo o ponto de vista sentimental, sou totalmente contra a existência deste jogo. Como o informado leitor certamente sabe, um estudo recente feito em 162 países pelo Instituto para a Economia e Paz, concluiu que a Islândia é o país mais pacífico do Mundo. Ora, parece-me claramente injusto e desumano que o país mais pacífico do Mundo se veja obrigado a defrontar Pepe e Bruno Alves.