Opinião

10 perguntas à espera de resposta

10 perguntas à espera de resposta

O normal é ultrapassarmos a idade das perguntas na antecâmara da adolescência. Eu devo ser um bocado retardado (e escrevo "um bocado" apenas porque todos tendemos a ser bastante indulgentes connosco próprios), pois já ando nos 57 anos e ainda não consegui sair da idade das perguntas.

Por isso, a propósito do anúncio de que a sede do banco de fomento vai ficar no Porto - uma espécie de bodo aos pobres oferecido por parasitas centralistas que têm uma prótese no lugar da alma - resolvi elencar um conjunto de dez perguntas, tantas como os mandamentos:

Por que é que o poder de compra do lisboeta é 14,5 vezes superior ao de um habitante de Penedono?

Por que é que o princípio do utilizador-pagador serve para obrigar ao pagamento de portagens nas ex--scuts do Alto Minho, Aveiro e Beira Interior e já não é aplicado quando os contribuintes do resto do país financiam os monstruosos défices da Carris, Metro de Lisboa, etc.?

Por que é que os habitantes da Guarda, onde nascem rios (Zêzere, Coa e Mondego) que alimentam as três principais bacias hidrográficas, e os de Aguiar da Beira, onde nascem Dão e Vouga, pagam a água muito mais cara que os lisboetas?

Por que é os municípios do litoral não são solidários, quando sabem que se fizessem um pequeno aumento de 20 cêntimos no preço do m3 de água isso permitiria baixar em dois euros por m3 o seu custo no interior do país?

Por que é que todas as outras câmaras tiveram de arranjar gratuitamente terrenos para a instalação de novos hospitais, enquanto que a de Lisboa nos cobrou 53 milhões pelo terreno onde vai ficar o Hospital de Todos os Santos?

Por que é que a Câmara de Lisboa, com mais de 12 mil funcionários, é o maior empregador do concelho e isso nunca vem à baile quando se acusam algumas autarquias do interior por serem as maiores empregadoras do seu município?

Por que é que anda para aí um montão de gente preocupada com a dívida da Câmara de Gaia (que se analisada per capita anda pelo meio da tabela) e ninguém se lembra de que o défice, ainda monstruoso, da Câmara de Lisboa tem sido substancialmente reduzido à custa de todos nós, que comprámos por 100 milhões de euros os esgotos da capital, um negócio nauseabundo, que cheira tão mal como o da venda dos terrenos do aeroporto e a oferta dos terrenos da frente ribeirinha?

Por que é que o quilómetro de autoestrada é mais caro na A25, por onde passam 60% das nossas exportações para a Europa, do que na A5, que liga Lisboa a Oeiras e Cascais?

Por que é que o sistema Douro produz 40% da energia de origem hídrica e a região não recebe qualquer parcela dos impostos da EDP?

Para que serve a Caixa Geral de Depósitos (ainda por cima a dar prejuízos), senão para fazer uns favores a amigos, se é preciso criar um novo banco público para assegurar o financiamento da economia?

PS. Agradeço respostas a estas perguntas para jorge.fiel@jn.pt