Opinião

A bem da nação

Quem estranha as medidas do governo na Educação nos Transportes só pode estar distraído com propaganda. A atitude do governo não só é expectável, como óbvia e, bem vistas as coisas, até desejável.

Neste momento só duas coisas preocupam António Costa. Aumentar a sua popularidade e apear Pedro Passos Coelho de líder PSD. Para que isso aconteça são precisas de duas coisas: manter-se no poder e minar a liderança partidária do antigo primeiro ministro.

Para se manter no poder, tem de cumprir as promessas que fez aos partidos que agora lhe deram a cadeira de São Bento. Para enfraquecer Passos Coelho precisa de dar sinais aos adversários internos do ex-PM que o PSD ainda pode voltar ao poder durante esta legislatura. Desde que alije o antigo líder.

É por isto que não se compreende tanto correr de tinta e até indignação, entre jornalistas e comentadores. As alterações na Educação (fim de uns exames e aparecimento de outros) e nos Transportes (reversões e "desprivatizações") são apenas a parte do acordo que Costa fez com os partidos que o apoiam na Assembleia da República. Estranho era se fosse ao contrário.

Estamos na "Fase 1" da governação onde Costa precisa do apoio da esquerda. Neste quadro é obrigatório fazer a vontade à maior corporação do país: os professores; e garantir ao PCP o poder "mítico" de paralisar o país via sector público dos transportes. Só assim haverá orçamento e a possibilidade de Costa governar com popularidade. O que não é difícil de prever, tendo em conta as medidas muito populares que estão anunciadas.

Por outro lado, a popularidade do governo e particularmente do primeiro ministro, vão agitar cada vez mais o PSD e a contestação ao líder, naturalmente, não vai parar de aumentar. A perspetiva do Poder é o maior catalisador das mudanças partidárias. E o fim em si mesmo da política, já dizia Maquiavel.

Rui Rio com quem Costa publicamente tem uma boa relação, já começou a desafiar Passos Coelho. Afinal o que quer dizer "Quando alguém vai para eleições já tendo estado no poder, não consegue com facilidade a janela de esperança"?

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Na "fase 2", com o apoio do PSD, Costa pode romper com a esquerda e devolver o país ao justo caminho e implementar as reformas estruturais de que o país precisa mas que na atual conjuntura são impossíveis.

Até se adivinham-se os soundbites.

Costa diria: "Este foi o único caminho para salvar o país de Passos Coelho". E Rui Rio concordava: " Foi tudo a bem da nação".

*Especialista em Media Intelligence

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