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A comissão dos festivais

A comissão dos festivais

O meu amigo Afonso diz que um "camelo" é um "cavalo" desenhado por uma comissão. No estranho caso do desaparecimento dos festivais de verão, "camelos", sentem-se os promotores, a "comissão" é o inútil organismo que o Governo criou para os tornar (im)possíveis; e os "cavalos" - Alive, Sudoeste, Neo Pop, Afro Nation e Rolling Loud - estão mortos de sede na linha de partida.

Este ano Portugal ainda não vai ter festivais de verão. Nem eventos corporativos. Nem desportivos. E os recintos cobertos vão continuar a poder utilizar apenas metade da sua capacidade. Enquanto isso, por toda na Europa pelo menos um festival de música acontece por dia. Portugal é a exceção. Os "camelos" estão indignados. Os cavalos, sequiosos. A "comissão", humilhada.

Dia 3 de maio o Governo criou uma Comissão Técnica de Análise de Eventos de Massa em consonância com a DGS e comandada e pelo médico António Marques. Os promotores trabalham em conjunto com ela para tornarem possíveis os festivais e muitos deles receberam parecer positivo, mas depois o Ministério da Saúde não deixou nenhum "cavalo" arrancar.

No nosso país aconteciam anualmente centenas de festivais de verão e a receita que geram, mais de mil milhões de euros por ano, é um pilar essencial para uma economia como a nossa que depende do turismo para não ficar no vermelho. Mas nem os festivais com parecer positivo da comissão vão acontecer.

Será veto político, medo de tomar decisões que não metam futebol, ou apenas incompetência? Quando todos os dias se veem na televisão adeptos de futebol abraçar-se nas ruas e nos estádios, sem distanciamento e sem máscara, não há moral! E quando não há moral... não podem levar só uns, têm de "comer" todos.

Especialista em Media Intelligence

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