Opinião

Contracolonização em curso

Contracolonização em curso

Quando a Câmara Brasileira do Livro escolheu Portugal como país convidado da Bienal do Livro de São Paulo, o maior evento dedicado à literatura e ao livro que acontece em todo o mundo de língua portuguesa, sabia que nesse convite existia um significado maior.

A CBL não nos escolheu "apenas" porque o Brasil comemora 200 de independência, 100 de Saramago ou porque Abel Ferreira, treinador e ídolo do Palmeiras, fez o gosto ao dedo e lançou um livro com enorme sucesso e na presença do próprio embaixador de Portugal em Brasília.

Todos estes motivos são bons, mas não são a causa da escolha, eles são a sua consequência. A causa é mais simples, menos evidente e, por isso, mais difícil de explicar.

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Ela faz parte de um processo que se está se transformar num verdadeiro movimento (o primeiro) de contracolonização na História. Desta vez planeado politicamente, organizado pelas elites e amplamente conhecido pelos povos.

A ligação direta que o ministro português da Administração Interna, José Luís Carneiro, faz entre "a necessária remodelação do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras" (o principal gargalo nos processos de emigração portuguesa) e a questão demográfica que Portugal precisa de resolver é prova disso.

Conjuntamente com a criação de vistos de longa duração para procura de trabalho, são medidas tão relevantes do ponto de vista histórico como foram, na década de 1750, os incentivos territoriais que o Marquês de Pombal deu aos enlaces matrimoniais entre portugueses e indígenas.

Acompanhando a História, a mudança de paradigma tecnológico que a pandemia trouxe, com adultos em reuniões de zoom e teams e youtubers brasileiros encontrando meninas e meninos portugueses em idade escolar, vem acelerar tudo isto.

*Presidente da Associação Portugal Brasil 200 anos

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