Opinião

Cultura contra o racismo

Cultura contra o racismo

Portugal não esconde que precisa de imigrantes para não morrer de velho, e que prefere os brasileiros para resolver esse problema, mas se queremos que isso realmente aconteça, têm de se preparar políticas sérias e criar uma comunicação adequada.

Esta semana voltou a ser ouvido no Brasil, através de posts de celebridades que nos visitam, que Portugal é um país racista e violento. Ora, isso é precisamente a única coisa que agora não nos pode acontecer. Até porque nem é verdade.

Muitos destes episódios de conflito - problemas nos aeroportos, a lentidão da atribuição dos vistos ou mesmo casos (muito esporádicos) de racismo e violência - são quase sempre menos relevantes do que o sensacionalismo que vende anúncios nos jornais e pede likes nas redes sociais.

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Mas como o número de cidadãos brasileiros a morar em Portugal aumenta todos os dias, esses episódios são cada vez mais comuns e para os minimizar é precisa uma atitude política que ainda não existe.

Fazermos declarações diárias e oficiais de amor ao Brasil, criar vistos de longa duração destinados a quem busca trabalho em terras lusas, celebrar o bicentenário da independência com fervor, pompa e circunstância, são coisas importantes, mas só não chega.

O ministro da Cultura, que recentemente visitou o Brasil e conhece bem o problema, deveria exigir ao seu Governo os meios para a criação de um programa cultural ambicioso destinado a mostrar a enorme riqueza da cultura e das artes portuguesas, que no Brasil são ilustres desconhecidas.

Aliás, se pensarmos bem, para resolver os problemas que hoje atingem Portugal - demografia e captação de investimento -, a cultura é a melhor arma que nós temos. Muito maior que o turismo.

*Presidente da Associação Portugal Brasil 200 anos

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