O Jogo ao Vivo

Opinião

Dia D. Plano B

Bolsonaro vai ser bom para a economia do Brasil, independentemente de isso ser mau para muitos brasileiros. Por muito que custe àqueles que amam a democracia a todo o custo, a vitória do ex-capitão vai fazer aumentar a confiança dos investidores e melhorar o ambiente económico no Brasil. O efeito que os resultados da primeira volta tiveram na Bolsa de Valores e no real são prova disso.

Pode até ser que Bolsonaro, porque é o único capaz de afastar o PT do poder, seja apenas um instrumento conveniente para fazer regressar ao poder os grandes empresários brasileiros e uma fachada para aqueles que, porque durante décadas não quiseram saber do seu país, são os verdadeiros responsáveis pela tragédia social em que o Brasil hoje se encontra.

No início deste ano, Jair Bolsonaro era tão extraterrestre que nenhum dos seus adversários o considerava. Então a esperança dos "homens de negócios" brasileiros recaía sobre o apresentador Luciano Huck, uma das estrelas da rede de televisão da Globo e homem de grande popularidade em todo o país. Quando ele desistiu, um dos seus maiores apoiantes era o economista e banqueiro Paulo Guedes. Com Huck fora de jogo, Guedes declarou apoio a Bolsonaro a agora será o mais que provável ministro da Fazenda e, por isso, um dos homens mais poderosos e influentes no futuro do Brasil.

Esta teoria, que pode até estar certa, como defendem muitos dos brasileiros, democratas insuspeitos, que a utilizam para justificar o seu voto no ex-capitão, tem um enorme perigo.

Verdadeiramente, ninguém sabe qual o efeito que o poder vai ter sobre a personalidade errónea e truculenta de Jair Bolsonaro; nem o que ele vai fazer quando o povo o sentar na maior cadeira do Planalto. Esse é um mistério a que ninguém sabe responder.

Por mais que Bolsonaro possa ser uma figura de pacotilha ou um vilão de banda desenhada, o poder tudo transforma. Depois de ele ganhar nada será como antes.

Que o diga Lula da Silva quando pensou que Dilma seria um excelente avatar.

O pior pode sempre acontecer quando no dia D só há plano B.

* Especialista em Media Intelligence

Outras Notícias