Opinião

A Uber não vale nada

Hoje o sonho de qualquer empreendedor é ter um "unicórnio". Uma empresa que vale, só por causa do nome, mais de mil milhões (kM) de dólares. Só que os unicórnios não são fortes como ursos, leais como cães, ágeis como falcões, nem resistentes como bois. E verdadeiramente nunca ninguém os viu.

Talvez seja por isso que, quando falta menos de um mês para a Uber - o unicórnio que nos leva a toda a parte com um toque no telemóvel - entrar na Bolsa de Nova Iorque, o mundo financeiro pareça preocupado.

Ao contrário do Facebook ou da Amazon, monopolistas nos seus negócios, a Uber é só mais uma entre muitas. Lyft, Kaptan, Taxfy, Mytaxi entre outras, disputam esse mercado.

A competição é tão feroz, que os custos da operação, quase todos com publicidade, fazem o negócio perder dinheiro a cada segundo. Mas aumentar a faturação, ignorando os prejuízos, para ter mais utilizadores, só funciona com clientes fiéis; e no caso da Uber, eles não são. As pessoas vão simplesmente escolher a app que lhes der mais vantagens.

Apesar de ter aumentado a faturação mais de 300% nos últimos dois anos e ter 91 milhões de utilizadores em todo o Mundo, a Uber deu, entre 2014 e 2018, um prejuízo de 6,8kM de dólares; e mesmo assim espera convencer os investidores a "darem-lhe" pelo menos 90 kM de dólares quando este mês entrar na Bolsa.

Esta semana a capa da revista "The Economist" apresentava os tão desejados unicórnios, não como bichos mágicos, mas como uns simpáticos póneis com um "córnio" de papel. É um aviso.

O risco que estas empresas têm para a economia global é tão grande que se não se inventar rapidamente o animal seguinte, o problema não vai ser o unicórnio transformar-se num pónei, vai ser a economia toda transformar-se numa abóbora.

*Especialista em Media Intelligence