Opinião

O abrunho e o homem-bala

Primeiro uma declaração de interesses. Sou apoiante da candidatura do Rui Jorge Rego à presidência do Sporting e dirijo a sua campanha. Por isso, e no respeito pelo trato de confiança que mantenho com quem me lê, aqui fica dito.

Comecemos pelos factos. A semana passada, Roberto Carlos (sim, esse!), anunciou no seu Twitter que se Rui Jorge Rego ganhar, vai ser o diretor Desportivo do Sporting.

Na eleição mais disputada e incerta de sempre, com 7 candidatos, um dos melhores jogadores de todos os tempos, o melhor lateral-esquerdo da história do futebol, campeão mundial pelo Brasil, bicampeão brasileiro, quatro vezes campeão espanhol, três vezes campeão europeu, etc, atual embaixador desportivo do Real Madrid, aceitou o convite, à condição, para vir dirigir o futebol profissional de um dos grandes de Portugal.

Agora a fantasia. No mesmo dia, o ex-presidente deposto, Bruno de Carvalho, inventou um numero de circo com o qual, durante algum tempo convenceu a comunicação social que um tribunal lhe tinha dado de novo a presidência do Sporting. Era mentira, soube-se mais tarde.

Dizendo, nunca mostrando, que tinha na sua posse um documento do tribunal que anulava a Assembleia Geral que o destituiu, deslocou-se a Alvalade clamando ter o que ninguém lhe tinha dado. Durante horas andou o público - a cujo interesse devem os jornalistas a primeira obediência - a ser enganado pelos próprios jornalistas.

Durante horas, jornais, televisões, rádios e conversas de café, eram sobre um assunto que nunca existiu. Sobre notícias que não eram verdade. Sobre notícias falsas.

Eram de facto notícias, porque foram produzidas por órgãos de comunicação social legítimos, mas relatavam factos falsos. E que continuaram publicadas quando já se sabia que não eram verdade.

Estas "notícias" que não cumprem as regras básicas do jornalismo, que contam apenas a versão de uma fonte (normalmente a única interessada) e não foram confirmadas por mais ninguém antes de serem publicadas, não deviam aparecer nos media. Dão-lhes mau nome. E a democracia precisa dos media para sobreviver.

No fim do dia, o ex-presidente mentiroso teve mais atenção que o craque virtuoso. Dá muito que pensar quando um abrunho vale mais que o homem-bala.

*ESPECIALISTA EM MEDIA INTELLIGENCE