Opinião

Cala a boca!

Quando esta semana inaugurou a central energética solar do Sobradinho, em São Salvador no estado da Bahia, o presidente brasileiro Jair Bolsonaro falou de "maus brasileiros e abriu um pouco mais a caixa de Pandora em que desnecessariamente está colocando o Brasil.

A crescente destemperança verbal do presidente brasileiro é um assunto cada vez mais relevante na equação da sua credibilidade nacional e internacional e há cada vez menos paciência, mesmo junto dos seus eleitores, para as parvoíces que diz.

Como candidato à caça de votos, até podia falar de bons e maus cidadãos, mas enquanto presidente, para ele, têm de ser todos iguais. É o que acontece quando se jura a Constituição.

Nem mesmo no Brasil se podem receber homens de negócios gritando P*** M***** nos corredores do palácio. O Planalto não é a casa dele. Inquilino e dono são coisas diferentes.

Bolsonaro é amado por muitos mas é odiado por cada vez mais. Mesmo os apoiantes mais fanáticos que, nas redes sociais, o defendem com fervor quase religioso, perdem força.

Até os evangélicos que apoiam o presidente têm cada vez dificuldade em explicar piadas de mau gosto sobre o tamanho da cabeça aos seus fiéis nordestinos.

O exercício do poder exige aos líderes políticos uma preparação que Bolsonaro manifestamente não tem e que precisa de aprender rapidamente.

É preciso que ele desenvolva a qualidade mais importante que um político precisa ter: saber viver em solidão.

Isso significa que Bolsonaro tem de parar de falar dele e de seus filhos e começar a falar do Brasil e dos brasileiros. Antes que, como fez ao peixe, a boca o mate.

Cale a boca presidente, seja prudente. O silêncio é mesmo de ouro. E o Brasil precisa desse silêncio.

* ESPECIALISTA EM MEDIA INTELLIGENCE