Opinião

E o velho sou eu?

Andámos a educar os nossos filhos para quê? Para serem como nós ou melhores que nós? A resposta não deve divergir muito de boca para boca e não deve haver por aí muitos pais a desejar que os filhos sejam menos do que eles foram. Parece óbvio. Mas então porque é que olhamos para a forma como eles se comportam com tanta indiferença?

É certo que ser pai nos dias de hoje é um bocadinho mais difícil que aqui há umas décadas, mas isso não desculpa a continuada incúria com que os mais velhos hoje tratam a geração que vem a seguir. Como se tudo aquilo que eles fazem, e as coisas em que acreditam fossem irrelevantes.

Velhos são os CEO da Banca que pensam que os pagamentos eletrónicos são só uma inovação tecnológica e não uma verdadeira revolução de mentalidades; a tecnologia dos "miúdos" não vai só fazer com que o dinheiro ande mais depressa de conta para conta e acabem os overnights, ele vai moralizar o negócio do dinheiro acabando de vez com as amnésias como a de Vítor Constâncio que deram cabo da reputação do sistema bancário.

Velhos são os políticos que não se importam com o facto de os filhos não quererem saber de eleições e de votos; velhos são os patrões de imprensa que nem desconfiam porque é que ninguém com menos de 18 anos quer ler o que escrevem todos os dias.

Velhos somos todos quando lá em casa ignoramos completamente as motivações dos nossos filhos e não conseguimos projetar o que vão eles pensar da vida quando tiverem metade da nossa idade.

É aqui que me lembro daquela frase do antigo presidente brasileiro Itamar Franco. "Seja legal (bom) para os seus filhos, eles é que vão escolher seu asilo".

Se continuamos assim, vamos todos acabar outra vez mortos de frio, enrolados numa manta, no cimo de uma montanha.

* ESPECIALISTA EM MEDIA INTELLIGENCE