Opinião

Ilegalizar a praxe. Já.

Ilegalizar a praxe. Já.

Notícias.

8 de maio 2019. Manchete do JN de ontem. Jovem encontrada inconsciente e seminua junto ao queimódromo. "Uma jovem, com cerca de 20 anos, foi encontrada, na manhã desta quarta-feira, despida da cintura para baixo, num jardim perto do queimódromo, no Parque da Cidade do Porto". O facto de se encontrar sem roupa da cintura para baixo levou as autoridades a encararem a hipótese de ter sido molestada sexualmente.

2 de novembro 2018. A Escola Superior de Educação de Coimbra (ESEC) abriu um inquérito no seguimento da denúncia, por cartas anónimas, de praxes abusivas envolvendo alunos da instituição. "As alunas praxadas foram agredidas com gelo e obrigadas a beber, enquanto um dos elementos que praxava estava todo nu".

28 de setembro 2018. O Bloco de Esquerda denunciou uma praxe, que classifica como "humilhante" e "violenta", de um aluno do primeiro ano da Universidade de Évora, depois de esta ter sido filmada e ter vindo a público. "O jovem ajoelha-se sobre as mãos e coloca a cabeça no chão sobre um monte de farinha. Pede o fim do exercício, apelo que não é acedido pelos responsáveis da praxe. "Não me interessa, desemerde-se", diz um dos estudantes.

5 de julho 2018. Mortes em praxe de Braga sem solução na Justiça. O Tribunal da Relação de Guimarães ordenou a repetição do julgamento de quatro alunos da Universidade do Minho absolvidos, no ano passado, pelo Tribunal de Braga, de homicídio por negligência, por, em 2014, numa praxe, terem causado a morte por esmagamento de três colegas.

Opinião.

Que sentido faz continuar a tolerar práticas bárbaras ao abrigo de uma tradição duvidosa? Quantas mortes e violações mais temos de contar até acabar com isto de vez?

Ilegalize-se a praxe. Já.

*Especialista em Media Intelligence