Opinião

O "caso mental" de Rui Rio

O "caso mental" de Rui Rio

Enquanto Rui Rio dormir no Porto nunca vai mandar no país. É impossível mandar longe da cadeira do Poder. César mandava em Roma. O Papa no Vaticano. Trump em Washington. Bolsonaro no Planalto. Salazar, Sá Carneiro ou Cavaco em Lisboa.

Nenhum deles nasceu na capital, mas quando conquistaram o poder, ou no caminho para o conquistarem, mudaram-se. Sentaram-se na cadeira e dormiram na cama.

É a presença que simboliza o poder. Nenhuma globalização nem nenhuma rede social muda isto. Por isso se diz, quando o líder está ausente, por morte ou demissão, que a sede está vacante e o poder está na rua.

Só que Rio não morreu - que Deus o guarde sempre de boa saúde; nem se demitiu, o que apenas acontecerá, como o próprio já admitiu, a 6 de outubro. Rui Rio apenas se sente desconfortável em Lisboa e esse desconforto impede-o de conquistar o poder.

Esse desconforto é sintoma do seu provincianismo no modo em que o descreveu Fernando Pessoa em O Caso Mental Português. Rio é um homem do Norte que não se sente em casa na sede o PSD em Lisboa.

Por isso não é levado a sério pelas suas tropas, que não o reconhecem como chefe; nem pelo povo que não o reconhece como um líder. Por melhores que sejam as suas ideias e importantes as suas reformas, esta condição de ausente tira-lhe qualquer hipótese de chegar ao poder.

Mas a cadeira do poder tem horror ao vazio e quando o líder não se senta nela outros a cobiçam; e a utilizam em nome do chefe ausente. É o tempo dos chacais. Do poder insidioso das burocracias secretas e dos poderes de Pirro.

O desconforto de Rio é mau para o poder do PSD que se desmorona em muitas capitais de Distrito, mas é muito pior para o país deixando Costa completamente à vontade para mais 4 anos do mesmo, ou ainda pior.

E para Rui Rio, infelizmente, já é tarde demais.

*Especialista em Media Intelligence