Opinião

Presidente, salvar o jornalismo é fácil!

Presidente, salvar o jornalismo é fácil!

Presidente faça assim. O montante gasto em compras de notícias a grupos de comunicação social portugueses, até um determinado montante, passa a ser abatido aos impostos. Sim! Como se faz com as causas solidárias. E há alguma causa mais solidária do que esta?

É muito fácil perceber porque é que as pessoas gastam imenso dinheiro na internet em comida, transportes e até em sexo, mas gastam cêntimos com notícias. Porque nem ubers, nem hamburgers, nem massagens existem de borla em mais lado nenhum e ao contrário, as notícias são grátis em toda a parte.

Esse foi o pecado original das empresas de comunicação social. Não cuidaram do negócio e partilharam gratuitamente na internet o que só vendiam no papel. Agora que o papel está obsoleto e o canal de venda deixou de ser as bancas de jornais e passou ser a internet, os jornais estão no mato sem cachorro. Como acontece em qualquer industria, quando se perde o canal, perde-se o negócio.

Como resultado deste erro estratégico as empresas de comunicação social empobreceram tanto que correm o risco de fechar. Dizia esta semana, antes tarde que nunca, o Presidente da República, constatando um problema que afeta todas as empresas de comunicação social em Portugal e um pouco por todo o mundo.

Marcelo fala que é preciso haver intervenção do Estado e está carregado de razão. Se os Estados não protegerem as suas marcas de comunicação social, um destes anos até um Trump ganha as eleições em Portugal. Porque marcas como o JN, DN, TSF ou Público, só para falar de algumas, não são apenas negócios de notícias, são património cultural e pilares da democracia. Por isso o Estado deve intervir.

Mas logo o mundo se agita quando se fala de intervenção do estado na comunicação social, E quase sempre com razão. O Henrique Monteiro escreveu ontem no Expresso que única a coisa que pedia ao Estado era que não atrapalhasse. Mas eu peço mais.

Porque há essa forma muito fácil de o Estado ajudar o jornalismo sem ser acusado de se intrometer na liberdade de imprensa. Financiando os leitores em vez de financiar as empresas.

Especialista em Media Intelligence

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