Opinião

Robles, o especulador

Robles, o especulador

A líder do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, até parecia Donald Trump a dizer que são tudo notícias falsas. "O vereador da Câmara de Lisboa não ganhou milhões de euros com a venda do prédio", vociferou. E tem razão. Robles não ganhou nada. O problema é que queria ganhar. Quis e não conseguiu. Apenas especulou.

Pelo menos desde 23 de fevereiro deste ano a casa do Vereador esteve à venda pela imobiliária Porta da Frente, uma afiliada da Christie"s e uma das mais exclusivas agências imobiliárias do mundo. Mas o preço pedido pela família Robles era tão alto que nem esta casa de imoveis de luxo a conseguiu vender.

A casa dos Robles, que aparece na página 13, com a referência PF15608, do catálogo da imobiliária, não é apenas cara. É a mais cara de todas as 58 propriedades disponíveis.

Ao não ter sido vendida, durante pelo menos os 5 meses em que sabemos que esteve anunciada, num tempo em que o preço do metro quadrado em Lisboa atinge valores recorde, podemos dizer sem medo de errar que a mansão Robles tinha um preço especulativo.

Agora a casa já não está à venda. Foi retirada do site da Christie"s e já só pode ser encontrada, e não sabemos até quando, numa página de catálogos eletrónicos na internet.

Durante pelo menos 5 meses, enquanto o vereador andou a pregar contra a especulação imobiliária a casa dos Robles andou a servir de bandeira àquilo que o vereador de Lisboa mais condena.

Dizem os livros que a especulação imobiliária consiste na formação de stocks de imóveis na expectativa de que seu valor aumente. O especulador aposta na obtenção de maiores lucros no futuro presumindo que haja uma subida dos preços dos imóveis. Ao colocar o seu prédio no valor de 5,7 milhões de euros, ou permitir que a imobiliária o fizesse, foi precisamente nisso que Robles se tornou: num especulador. Tudo o resto são apenas desculpas de circunstância.

Não resisto a uma declaração de Robles ao Diário de Notícias dia 11 de março do ano passado: "Há uma visão especulativa: os terrenos, os prédios de Lisboa são para negócio, não são para habitação, não são para quem quer viver na cidade. E isso não é uma política de esquerda. Essa tem que olhar para a cidade e disponibilizá-la para as pessoas."

Afinal Robles é de direita.

* ESPECIALISTA EM MEDIA INTELLIGENCE

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