Opinião

Só ganha o barbeiro e já não é mau

Só ganha o barbeiro e já não é mau

Apostei com o meu barbeiro um ano inteiro de cortes de cabelo e aparadelas de barba em como o PS e António Costa vão ter maioria absoluta nas eleições do início de outubro. Se eu perder, pagarei por cada visita à barbearia Araújo das Avenidas Novas o dobro do que pago habitualmente. É justo.

Só que nestas apostas feitas à pressa perde-se sempre. Se o PS tiver maioria absoluta vai governar como normalmente governa quem as tem, confundindo o Estado com o partido e o custo para o meu bolso será certamente maior que 12 cabelos e 24 barbas ao ano. Por outro lado, se ninguém tiver maioria absoluta, fico na mesma, porque já incorri na despesa. Só ganha o barbeiro.

Assim, como já perdi a aposta e estou de férias, não quero mesmo saber.

Não me importa a guerra de palavras das golas antifogo que primeiro ardem e depois não, nem os empresários que as compram baratas e depois as vendem caras ao papai que está no Governo.

Nem que tenham arrestado as obras do Berardo sem saber o que fazer delas; nem que o sindicato unipessoal dos trabalhadores de transporte de gasóleo decida paralisar o país na semana do feriado de agosto; e estou a marimbar-me que ainda ninguém tenha explicado o que vai acontecer quando o interesse de poucos se sobrepuser ao de muitos.

Nem quero saber que este ano se proíbam as escolas públicas de comprar livros usados só porque o sistema informático que o ano passado disse que sim, este ano decide dizer que não. Nem quanto as editoras ganham com isso.

Nem a falta de comparência de Rui Rio vai dar a maioria a António Costa! Sinto uma vontade irreprimível de deixar crescer todos os pelos da minha cabeça.

Só ganha mesmo o barbeiro. E já não é mau.

*Especialista em Media Intelligence