Opinião

Só proibindo votar

Enquanto não proibirem o voto livre e democrático a abstenção vai aumentar. Os portugueses só lá vão mandados, se lhes derem liberdade não querem saber. Razão tinha o tal general romano quando dizia que na Lusitânia o povo não se governa nem se deixa governar.

Estas eleições europeias envergonham toda a gente. Políticos, jornalistas, comentadores e o povo. A abstenção em Portugal, muito superior à média europeia, é inexplicável do ponto de vista da qualidade da democracia e diz pior ainda da nossa qualidade como cidadãos. Não valemos muito.

Comecemos por nós, o povo. Somos especialistas em protestos e greves, mas não porque queiramos de facto mudar. Protestamos apenas porque é melhor fazer greve do que trabalhar. Se as eleições fossem durante um dia de trabalho em vez de num domingo cheio de sol, havíamos de ver a abstenção! Vinha logo por aí abaixo! E se ir votar desse direito a um dia de folga! A abstenção descia para zero!

Já os jornalistas e comentadores ignoram a abstenção. Como se 70 fosse igual a 10. Ficam entretidos no papel fácil de génios da aritmética, a comentar e a noticiar a parte como se fosse o todo e a discorrer sobre o futuro como se a audiência das suas opiniões não tivesse nada que ver com a abstenção.

Por fim os políticos que, independentemente dos partidos que representam, se transformaram em simples máquinas de propaganda. Os estudos de mercado são essenciais, mas uma coisa é saber o que precisam idosos e amantes de animais, outra é prometer-lhes o que querem ouvir independentemente da matriz ideológica de quem promete. É como se ser cristão ou muçulmano fosse a mesma coisa. E não é. Se fosse, ninguém acreditava! Percebem? Esta é a questão.

Se proibissem o voto pensávamos todos mais nisto.

Especialista em Media Intelligence