Opinião

Trabalho e alcoolismo

Para muitos executivos portugueses o formato das reuniões de trabalho só varia na ementa. Cabrito assado à segunda, tinto alentejano à terça, whisky novo à quarta, papos-de-anjo à quinta, charutinho à sexta, brindes à descrição. Depois do almoço, a preguiça é total e a produtividade zero.

Quem estiver com atenção aos restaurantes do nosso ecossistema de negócios percebe logo que são um retrato fiel da nossa improdutividade. Duas horas de tempo médio à mesa, meia garrafinha de vinho por pessoa, muitas áreas de fumador.

Existe um alcoolismo endémico e tolerado que atravessa a sociedade portuguesa de alto a baixo, tal qual o futebol. A única coisa que muda é a qualidade da pinga e a dormência da sesta. Mesmo que trabalhemos mais tempo a nossa produtividade é necessariamente mais fraca e vem com grão na asa.

Eu parei de beber e de fumar, e todos os dias ando a pé pelo menos 10 quilómetros. Quem vem ter reuniões comigo, se não tiver nenhum problema de locomoção, tem direito a passeio, gravação integral e resumo executivo. As walk4meet aumentaram-me a saúde e diminuíram-me o peso. E o mais incrível é que há mais gente a querer trabalhar comigo. Tudo o que as pessoas precisam é de um empurrãozinho.

Além de tudo andar e trabalhar ao mesmo tempo, tem muitas vantagens cientificamente demonstradas. Um estudo da Universidade de Stanford publicado em 2014 confirmou que caminhar aumenta em média a "produção criativa" de uma pessoa em 60%, para além de estimular o crescimento do hipocampo, uma parte do cérebro associada à memória de longo prazo. Mas também diminui o risco de depressão e liberta as endorfinas que nos fazem sentir felizes.

Quanto menos bebermos, mais ricos e felizes vamos ser.

*Especialista em Media Intelligence