Opinião

Uma cruzinha no domingo

Uma cruzinha no domingo

Pedir não custa nada, o não é garantido. Por isso aqui vai. Vão votar.

Domingo que vem agarrem na caneta e escolham. Risquem. Tracem. Decidam. Gritem. Chorem. Reclamem. Façam birra se quiserem. Mas votem. Decidam pela vossa cabeça. Se não formos nós, alguém o fará.

E votar é grátis. E um momento de libertação. Um ato de poder. De catarse coletiva. De alegria partilhada. Um momento em que somos nós a mandar. Mulheres e homens completamente livres.

E se pensamos que estas eleições europeias não servem para nada, estamos muito enganados. Elas são as eleições mais importantes de sempre. Até para Portugal. São pelo menos tão importantes como as legislativas de outubro.

São importantes porque independentemente de quem for a nossa escolha elas representam uma escolha maior. A de dizermos à Europa, ao Mundo, à China, à Rússia e sobretudo a nós mesmos que nos interessamos muito pela Europa. Que a amamos.

Não amamos a Europa? Amamos sim. Só não nos lembramos disso porque estamos casados com ela há muitos anos e já nos esquecemos de quando éramos namorados e noivos e amantes.

Amamos a Europa porque ela nos trouxe roupas bonitas, vidas maiores, casas confortáveis, hospitais melhores, estradas modernas e piscinas aquecidas. Amamos a Europa porque nos deu o dinheiro com que pudemos deixar de ser o país rural e antigo que os nossos antepassados nos deixaram.

Amamos a Europa porque sem ela os nossos filhos não podiam estudar no estrangeiro e amamos a Europa porque é ela que tira os Franco de Espanha, os Hitler da Alemanha e os Mussolini de Itália.

Amamos a Europa porque nos trouxe a paz sem nos matar à fome e ainda nos dá abundância.

Não vale isto uma cruzinha no domingo?

*Especialista em Media Intelligence