Opinião

Mais sorte que o CR7

Quando em fevereiro o país fechou e o estado de emergência foi declarado ainda não sabíamos porquê. Mas a China tinha comprado todas as máscaras e todos os ventiladores que existiam na Europa e nos Estados Unidos e, nessa altura, se não ficássemos fechados em casa a taxa de infeção ia ser tão grande que ia haver uma desgraça.

Nestes seis meses que passaram, nós "europeus" apenas nos preparámos para lidar com a tragédia que aí vinha, e isso que é o que está a acontecer agora. A pausa da primavera foi apenas o compasso de espera que a tecnologia e a comunicação modernas permitiram à humanidade. A pandemia é agora. Agora é que é preciso aguentar o vírus.

O vírus é democrático e vai espalhar-se pela sociedade infetando os que tenham menos sorte, menos cuidado e profissões de maior exposição - como o CR7 -, causando problemas sérios aos mais pobres, mais velhos e mais fracos - e menos ao CR7. Como aliás acontece com todas as doenças.

O que hoje podemos (e temos de fazer) é que praticar a prudência e evitar - porque agora já há máscaras - o que era impossível evitar quando não as havia. Agora depende mais de cada um de nós ser cuidadoso e responsável, respeitando mais os que vivem e trabalham à nossa volta. Mas não podemos ficar fechados em casa para sempre.

Mas ter cuidado não é só andar de máscara, é também aceitar que se fazemos tanta coisa online, se calhar no futuro também nos vamos casar por WhatsApp, divorciar no Facebook, namorar no Zoom e ser batizados no Instagram.

Penso outra vez no CR7. Ele apanhou covid porque não pode ficar em casa a jogar na PlayStation - nós é que podemos. Desta vez, muitos de nós, temos mais sorte do que ele. É melhor aproveitar.

Especialista em Media Intelligence

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