Opinião

O metaverso não existe

O metaverso não existe

O metaverso de que todos falam não existe. Esse nome é um erro de simplificação de linguagem muito próprio do marketing e da publicidade, mas que compromete o seu sentido. O verdadeiro metaverso, a que todos querem agora aderir, é outra coisa.

Linguisticamente o metaverso é o que está além do verso, não explicitado ou explicitamente contido nele. E não é o anverso, nem o reverso, nem o pluriverso nem o próprio universo.

O metaverso está para o universo como a mefísica estaria para a "ísica" ou a metáfora para a "ora". Ou seja, é uma aliteração preguiçosa que confunde um e exalta no entendimento das pessoas um conceito verdadeiramente muito simples.

O metauniverso - que é do que todos querem falar quando dizem metaverso - é o que está além do Universo, não apenas para além do verso.

É aquele mundo virtual que acontece na Internet, mas que incorpora experiências de realidade aumentada, realidade virtual, avatares holográficos em três dimensões, vídeo e outros meios e estilos de comunicação.

À medida que o metauniverso se vai expandir e complexificar - muito por causa da conectividade online que a tecnologia 5G permite - vai oferecer um mundo alternativo hiper-real aos seus utilizadores. Mas, afinal de contas, do ponto de vista conceptual, nada muito diferente daquele jogo antigo chamado second life.

Lembra-se? Foi criado em 2003 - há quase 20 anos - é já se anunciava como um simulador de vida, onde os jogadores participavam, convivendo num mundo aberto em que o objetivo era viver o mais livremente possível.

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Mas já então o Second Life, prevendo o futuro, utilizava as - então ainda muito incipientes - plataformas de comércio eletrónico como principal modelo de negócio. É sempre a economia, estúpido!

*Especialista em Media Intelligence

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