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O museu da língua vem aí

O museu da língua vem aí

Angolana, brasileira, portuguesa a nossa língua é imortal. É dos cinco continentes e de todos os oceanos. Vem de um passado onde ainda permanece até ao futuro, onde continua a expandir-se descoordenadamente na diáspora mais palpitante, mais pacífica e mais demorada da história. O Museu da Língua Portuguesa, que junta tudo isto, reabre das cinzas em São Paulo, no Brasil, no último dia deste mês.

A língua portuguesa não é apenas um instrumento de comunicação, ela poderia ser uma plataforma de futuros. Mas sendo tensão e tesão, proximidade e inclusão, ela não se atina, não se afina e teima em não desenhar no seu mapa da cultura o caminho desejado para a grana pura.

A língua que é dos negócios, é mais de afetos. Sofre no rigor das pautas aduaneiras, como se alegra nos versos de poetas analfabetos. Ela se desconforta no trade com os mares da China, mas logo rejuvenesce numa pista de dança e num trago de caipirinha. Prefere os amantes sem dinheiro. Odeia o Rockefeller, mas ama o Roque Santeiro.

A nossa língua é afiada e agiota. É calada e poliglota (mesmo dentro da mesma língua) como o embaixador de Portugal Luís Faro Ramos escrevia no "Correio Brasiliense"; citando Vinícius Terra do lado do Dino d"Santiago e da Sara Correia. "Meu bairro, minha língua" - Embaixador, é a terra inteira!

A língua e a grana andam juntas em cada "padoca" de São Paulo. Na Belezura do Rio. No tri relax do outro Rio mais ao Sul. Caminham lado a lado, em cada lado do mar. Nas empresas da baía de Luanda, nas reservas gasosas de Maputo, das praias da Praia em Cabo Verde, no petróleo de Dili e em outros milhares de oportunidades que no Mundo inteiro falam português.

Flor do Lácio, Sambódromo, Lusamérica, latim em pó. O que quer? O que pode esta língua? Tudo o que ela quiser.

Especialista em Media Intelligence

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