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O petróleo barato é um perigo para Europa

O petróleo barato é um perigo para Europa

É uma jogada de mestre: ao manter o petróleo muito barato, Barack Obama mata dois coelhos com uma só pedrada. O "amigo" americano "obriga" Putin a desestabilizar a Europa - porque, cada vez mais, é a única força que lhe resta - e obriga a Europa a depender da América (e da NATO), porque sozinha não se aguenta contra a Rússia.

Em 2014 os Estados Unidos tornaram-se simultaneamente no maior produtor e no maior consumidor mundial de petróleo. Ultrapassaram a Arábia Saudita e a Rússia na produção e a China no consumo. Produzem 11 milhões de barris por dia o que, mesmo assim, só chega para 60% das suas necessidades diárias - os Estados Unidos sozinhos precisam de tanto petróleo como a China, o Japão, a Índia e a Rússia juntos. Quer isto dizer, o primeiro interessado em petróleo barato é precisamente o tio Sam.

Quem muito perde é a Rússia, pois petróleo é o que mais tem para vender. O World Bank fez as contas: por cada dólar que o preço do petróleo baixa a Rússia deixa de ganhar 2 mil milhões. É dinheiro! Mas... há outra coisa que os russos têm para vender: armas.

Ontem, dois acontecimentos mostraram isto com grande simplicidade. Enquanto os analistas do Citi afirmaram que o petróleo vai baixar até aos 20 dólares, Putin, em visita ao Cairo, ofereceu como presente de cortesia ao presidente egípcio uma metralhadora Kalashnikov. A América tem uma economia pujante como nunca e, se o petróleo continuar a baixar, à Rússia vai restar-lhe a guerra.

Quando, mais logo, os líderes da França, da Alemanha e da Rússia se encontrarem frente a frente com o presidente da Ucrânia em Minsk, na capital da Bielorrússia, é muito mais que um cessar-fogo que está em causa: É a paz no velho continente.

EMPRESÁRIO

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